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Insulfilme: ter ou não ter?

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Ame-a ou odei-a. Se há um acessório automotivo capaz de alimentar tal relação de paixão ou a mais completa ojeriza é a película, ou os popularmente conhecidos “insulfilmes”, adesivos usados para escurecer os vidros dos veículos. Para alguns, ela sempre foi vista com desconfiança e seus usuários freqüentemente associados a “playboys”. Já outros, adeptos confessos, “enxergam” nelas vários benefícios práticos.

Mas o fato é que as películas, como todo equipamento adaptado em um automóvel, possui vantagens e desvantagens e, principalmente, uma legislação que, pelo menos na teoria, disciplina sua utilização estipulando percentagens mínimas de transparência.

O universitário bauruense Fábio Roberto Barbosa é um dos que integram a “turma” dos favoráveis ao acessório. Ele conta que instalou as películas em seu veículo, um Gol, pensando na segurança. “Se estiver parado em um semáforo, uma pessoa com más intenções certamente pensará duas vezes antes de aproximar-se do carro, pois ela não terá como saber minhas reações ali dentro”, destaca.

Barbosa enfatiza, ainda, que o insulfilme ajuda a reduzir o calor e a luminosidade no interior do veículo e a proteger os estofados da ação dos raios solares. “Fica um clima mais agradável”, garante. “Além disso, é inegável que o automóvel fica mais bonito com ele”, acrescenta o jovem.

Ele revela também ter sido orientado, em todos os lugares onde efetuou pesquisas de preço para instalar as películas, sobre a legislação que estabelece as transparências mínimas, que ele as considera demasiadamente fracas. “É como quase se não houvesse nada nos vidros”, compara Barbosa.

Outro que não fica sem insufilme em seus automóveis é o comerciante bauruense Ricardo Tadashi Sato, que repete os benefícios citados pelo universitário. “Você consegue ter mais privacidade dentro do carro e, ainda, pode ficar mais à vontade com os equipamentos sonoros, pois ele dificulta a visualização deles”, frisa Sato.

Segundo o comerciante, depois que adotou a película em seu carro, até mesmo seu pai passou a usá-lo. “Antes ele era contra, mas hoje já coloca em todos os veículos”, garante. Já Eliton Francisco Carvalho conta que instalou o insulfilme no carro, um Escort, para diminuir a luminosidade interna. “Como estou direto na estrada, ela não deixa que a luz de fora atrapalhe tanto a visão dentro do automóvel”, diz.

Desvantagens

O capitão Nelson Garcia Filho, comandante da 4.ª Companhia de Trânsito de Bauru, afirma não ser “totalmente contra” a utilização dos insulfilmes. Para ele, se instaladas dentro dos limites estabelecidos pela resolução do Conselho Nacional de Trânsito, as películas são importantes aliadas contra a ação dos raios solares. “O sol é um dos fatores adversos à direção defensiva”, destaca. “

No entanto, Garcia Filho sustenta que andar com o acessório fora das especificações pode provocar inúmeras desvantagens e transtornos aos donos de automóveis, além de aumentar os riscos de acidentes. “Os limites de transparência não foram estipulados à toa. Vários estudos foram feitos e concluíram que as porcentagens legais são as mais adequadas para garantir segurança ao rodar”, ressalta.

Além disso, o comandante argumenta que o condutor pode transformar-se em “vítima” do insulfilme. “Muitas pessoas o colocam no veículo em nome da segurança. Mas elas se esquecem que um ladrão pode entrar no carro, ficar escondido no banco traseiro, render o motorista e, ainda, passar ileso por um bloqueio policial porque não se consegue visualizar o interior com nitidez”, exemplifica.

Garcia Filho alerta que a diminuição da visibilidade noturna é outra desvantagem de rodar com o acessório fora dos padrões. “A visão do condutor ficará extremamente prejudicada e ele pode não ver, por exemplo, uma bicicleta, um animal ou mesmo um veículo com a luz apagada”, adverte o capitão.

A situação é ainda pior, continua o comandante, em dias chuvosos. “Se nestas condições de tempo a visibilidade já fica ruim, imagine se o carro estiver com uma película fora dos padrões”, compara Garcia Filho.

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Cuidados

Os cuidados para manter o insufilme limpo e aproveitar toda sua vida útil são simples. Segundo Fernando Augusto, proprietário de um estabelecimento bauruense especializado na aplicação de películas, na hora da limpeza o melhor é não usar espátulas, lâminas ou produtos com componentes abrasivos. “Basta água, xampu comum e uma flanela”, orienta.

Fernando acrescenta que as películas podem ser instaladas normalmente em veículos com desembaçador traseiro, cujo funcionamento depende de linhas horizontais presentes no vidro. “Tudo depende da qualidade do filme utilizado. Se este for bom, nem mesmo quando for retirado prejudicará o sistema. Agora, se não for aquelas coisas...”, conclui.

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Fiscalização

A fiscalização do insulfilme é um dos pontos mais polêmicos sobre o assunto. Como não existe nenhum aparelho registrado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para medir a transmissão de luz com precisão, os policiais usam o bom senso.

Por “bom senso”, conforme explica o comandante Nelson Garcia Filho, da 4.ª Companhia de Trânsito, entenda-se verificar a chancela do fabricante que indica a percentagem de transparência luminosa, item que toda película é obrigada a conter. “Se o insulfilme não a possuir, o proprietário do veículo será orientado a retirá-lo dos vidros e não escapará da autuação”, esclarece o capitão.

Entretanto, Garcia Filho admite que nem sempre os índices contidos no acessório refletem sua real transparência. Por isso, ele defende uma maior atuação do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) e do Procon sobre a comercialização das películas. “Eles poderiam fazer inspeções para checar se o produto está sendo vendido dentro das especificações”, sustenta.

E é justamente pelo fato de muitos automóveis rodarem com insulfilmes excessivamente escurecidos que, durante as blitze policiais, tais veículos são parados para averiguação. “Abordamos para saber quem está ali dentro”, afirma Garcia Filho.

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