Bairros

Verão aumenta riscos de leishmaniose

Diego Molina
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O calor e as chuvas dos meses da primavera e verão são mais propícios para a proliferação do mosquito palha, agente transmissor da leishmaniose visceral. De acordo com o responsável pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), Luís Jacinto da Silva, o período de transmissão da doença ocorre nos meses de outubro a maio. Por isso, ele aconselha que as medidas de controle da epidemia sejam intensificadas imediatamente em Bauru.

Nesta semana, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, ampliou o número de equipes de agentes que estão coletando amostras sangüíneas de cães nos bairros que tiveram casos diagnosticados. Ontem, o nono caso de leishmaniose humana foi confirmado pelo DSC.

Jacinto esteve em Bauru, acompanhado do diretor do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, Carlos Magno Fortaleza, para conversar com representantes das secretarias de Saúde dos municípios da região.

Na opinião do superintendente, a epidemia que ocorre em Bauru já era anunciada no ano passado, quando foram encontrados cães com a doença. “Já se antecipava que casos humanos tinham grande risco de aparecer. Estes casos, com certeza, não adquiriram a infecção hoje”, diz Jacinto. A leishmaniose tem cerca de três meses de incubação, então os pacientes já diagnosticados em Bauru devem ter sido picados pelo mosquito no período de transmissão, nos primeiros meses deste ano.

Mesmo já sendo considerada uma epidemia, para Fortaleza, a situação de Bauru não está fora de controle. “Estamos num ponto em que é possível uma intervenção. Exatamente nos primeiros casos é que se consegue deter as doenças. Se generalizar, as medidas de controle tornam-se mais difíceis e a eficácia, bem reduzida”, declara.

Entre as medidas apontadas para a prevenção da proliferação do mosquito, Jacinto enfatiza a importância do controle da população canina e a limpeza de terrenos baldios e quintais. Diferente do Aedes aegipty, o mosquito da dengue, que precisa de água limpa para se reproduzir, o mosquito palha utiliza a terra com matéria orgânica.

“Por isso o controle é muito mais difícil. A limpeza de terrenos e quintais é importante. Tirar folhas, lixo, fezes de animais, isto resolve grande parte do problema”, orienta Jacinto.

A única forma de transmissão da doença é através da picada do mosquito palha. No entanto, os cães servem como hospedeiros do Leishmania, o agente infeccioso. O superintendente declara que o tratamento da doença nos cachorros não é eficaz, pois apesar do animal apresentar melhora e até parecer curado, num primeiro momento, o agente permanece encubado e o cão continua sendo um foco de infecção.

“Por isso, a eutanásia não é tão desumana. É certeza que o cão vai sofrer, ficar doente e abatido. Se ele melhorar agora, vai adoecer de novo no futuro. As pessoas tendem a se preocupar porque envolve a morte de um animal pelo qual o homem tem muito afeto”, comenta Fortaleza.

Ambos defendem o controle da população de cães na cidade, com a captura dos animais errantes e sacrifício dos animais infectados. Para Jacinto, estas são medidas a médio prazo, com a redução do número de cães para a erradicação da leishmaniose.

O tratamento para os humanos também apresenta diversas dificuldades e efeitos colaterais, segundo Fortaleza, porém quanto mais cedo a doença for identificada, mais eficaz ele se torna. “O diagnóstico é fácil, se você tiver consciência da doença. Com um quadro de febre prolongada, arrastada por até duas semanas, fraqueza e mal-estar, imediatamente deve-se pensar em leishmaniose visceral. Os médicos têm de estar atentos”, aponta.

O secretário municipal da Saúde, Hanna Georges Saab, afirma que os médicos da cidade foram orientados sobre a doença e a influência do diagnóstico precoce no tratamento. “Passamos a orientação para que os médicos suspeitem de febre constante, para fazer o exame. Como a doença não aparecia tanto, eles não tinham o hábito desse diagnóstico, e os médicos devem tomar as providências caso apareçam mais casos”, diz Saab.

Jacinto reitera a responsabilidade da população e dos governos municipais para o controle da epidemia. “Diminuindo o acúmulo de matéria orgânica em quintais e terrenos, reduzimos numericamente a presença do mosquito, essa medida já é importante para controlar a transmissão da doença. Isso é papel das pessoas e das Prefeituras”, conclui.

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