Regional

Águas quentes dão vida a Piratininga

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A pesquisa Data/ITE revela que a cidade de Piratininga (13 quilômetros a Sudoeste de Bauru) perdeu moradores no período compreendido entre 1980 e 1991. A partir daí, reagiu e conseguiu reverter a situação de 1991 a 2000.

Na opinião do atual prefeito, Odail Falqueiro (PTB), o impulso para o progresso da cidade veio através da implantação das Termas de Piratininga. “Gerou empregos, atraiu novos moradores e incentivou a instalação de loteamentos.”

Animado com a situação, Falqueiro conta que são seis loteamentos. “As termas atraem muitos turistas, especialmente os idosos. Pessoas aposentadas que procuram lazer e tranqüilidade. Algumas chegam para passear e acabam comprando um imóvel e morando na cidade.”

A chegada do turista incentivou os empreendedores a instalar vários loteamentos, fazendo movimentar o mercado imobiliário. “A cidade está próxima de um grande centro, que é Bauru. Se o morador quer ir ao shopping, ao cinema ou ao teatro, não demora mais do que meia hora e, ao mesmo tempo, conta com a tranqüilidade de uma cidade de pequeno porte.”

Mantendo a tradição, a prefeitura conserva o coreto e a banda toca todos os domingos, atraindo os turistas que revivem a infância.

O preço do aluguel é outro atrativo. Uma casa de porte médio é alugada por cerca de R$ 250,00. Um lote de terreno em residencial fechado custa cerca de R$ 15 mil em várias prestações.

O município tem 100% de água encanada, esgoto tratado e, a partir do próximo mês, coleta seletiva de lixo. “Estamos incentivando o turismo para diversificar as atividades. Temos vários imóveis rurais de aluguel para fins de semana e festas.”

Outro atrativo de Piratininga é o Spa, segundo Falqueiro. “Ele movimenta o comércio local e traz gente de todo o Brasil.”

O prefeito concorda que a cidade embarcou no progresso da cidade-sede, que é Bauru. “Estamos investindo nos atrativos fundamentais que podem trazer dividendos ao município. Hoje, muitos moradores são de Bauru.”

Tranqüilidade que atrai

Para poder criar os filhos com tranqüilidade, a enfermeira Karen Cristina Moura Souza escolheu um residencial fechado. “Sempre morei em Piratininga. Quando me formei, consegui emprego aqui no pronto-socorro e não desisti da cidade.”

O fator preço, tanto do terreno quanto da mão-de-obra, influenciaram na construção do imóvel. “O local é muito arborizado e sossegado para morar. O terreno, com cerca de 360 metros quadrados, custou cerca de R$ 15 mil. Em Bauru, esse preço, acho que triplicaria, se eu optasse por um residencial fechado.”

A profissional de editoração eletrônica Andréia Tedesco Brizolla saiu de Bauru para poder criar os filhos com mais liberdade. “Eu morava próximo da avenida Duque de Caxias, antes dos filhos nascerem. Quando as crianças nasceram, pensamos em mudar para um local mais tranqüilo.”

A tranqüilidade procurada por Andréia pode ser constatada na frente de sua casa. Dois balanços foram instalados entre duas árvores.

Apesar de trabalhar em Bauru, ela e o marido não sentem falta da agitação de uma cidade de médio porte. “Aqui o pessoal é muito hospitaleiro. Todo mundo se conhece. Os comerciantes marcam na caderneta e você paga no fim do mês. Quando quero alguma coisa que não encontro aqui, aí vou para Bauru.”

O aposentado Mário Manflini, 82 anos, trocou o estresse da Capital pela vida de cidade do Interior. “Morei 30 anos em São Paulo. Vim para Piratininga. Comprei um sítio e estou vivendo uma nova vida, com mais qualidade.”

O nervoso que passou durante mais de 30 anos dirigindo ônibus circular em São Paulo foi substituído pelo canto dos pássaros. “Quando saí da Capital, não havia tantos assaltos e seqüestros e, mesmo assim, a vida era muito agitada.”

Para ele, Piratininga é a cidade maravilhosa. “Não falta nada. Fico anos sem ir para Bauru”, confessa.

Fim das regionais afeta cidades vizinhas

Na análise do coordenador da pesquisa, o economista Reinaldo Cafeo, Bauru perdeu regionais importantes que ocasionaram perda populacional na cidade e região. “Observamos que Bauru sempre foi um centro importante das regionais. Tivemos perdas de muitas delas. Na década de 90, os Correios saíram daqui. Isso provocou a mudança ou saída de 300 funcionários. A maioria moradores de Bauru, alguns da região.”

Em seguida, a Fiat levou um grande contingente também. “À medida em que Bauru parou de abrigar uma grande parte das regionais de empresas privadas e com a privatização da CPFL, houve um esvaziamento. Isso influencia na região porque, na medida em que você é um centro propulsor e não tem mais oportunidades de trabalho, deixa de atrair.”

Ações locais podem resolver, acredita o economista. “Tem cidades que dependem mais das ações locais. Agudos teve um crescimento motivado pela atratividade. Grandes empresas como a Ambev e a Duratex seguraram a população no município. A proximidade com Bauru facilita, porque uma pessoa pode morar em Bauru e trabalhar em Agudos.”

Outra vantagem é o preço da moradia. “O terreno em Bauru é menor e custa mais do que em Agudos. A mão-de-obra lá é mais barata e se não tiver pode ser importada.”

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