Regional

Avaí já começa recuperar evasão

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar de não ter apresentando um crescimento populacional positivo no período de 1980 a 2000, Avaí (39 quilômetros a Noroeste de Bauru) conseguiu, ainda que timidamente, deixar a escala decrescente para assumir o desafio de criar oportunidades para a geração mais jovem e não deixar que ela migre para centros mais progressistas.

Investimentos públicos na área da saúde, cursos de capacitação profissional, incentivo ao comércio local e a aposta nas potencialidades locais podem tirar Avaí do marasmo populacional.

A cidade caminha na velocidade de uma grande metrópole, mas patina no quesito emprego. Criar oportunidades de trabalho é o desafio do atual prefeito, Reinaldo Rocha (PSDB). Uma das alternativas encontradas por ele foi incrementar o artesanato indígena, uma vocação local, e com isso atrair o turista regional.

Rocha acha que, com um empenho político global, outros municípios poderiam ser beneficiados pela idéia. “Pretendemos ativar a ferrovia e usar a estação histórica. O trem sairia de Bauru e aqui faríamos o transporte até as aldeias, onde o visitante conheceria e poderia adquirir o artesanato. O Sebrae está auxiliando a padronizar o artesanato para que ele seja ecologicamente correto.”

Outra tentativa de manter o morador na cidade está prestes de ser inaugurada. “O município investiu na capacitação dos produtores de leite. Montamos uma pequena usina de processamento de leite para a Associação dos Pequenos Produtores Rurais.”

Dos 1.200 litros de leite retirados por dia pelos produtores, metade é vendido na cidade. “Os 600 restantes poderão ser comercializados na região. Com a usina, a qualidade do produto aumenta e ganha preço no mercado.” Na mesma usina poderá ser confeccionado o queijo.

A prefeitura ofereceu nove cursos para capacitar a população. “Confecção de queijos, defumação de carneiro, porco, aproveitamento da mandioca, confecção de farinha, bolinho, mandioca pré-cozida, manejo de pastagens, confecção de pães”, cita o prefeito.

Para fortalecer o comércio local, Rocha usou a criatividade e criou o vale-alimentação, que só pode ser gasto nos estabelecimentos comerciais do município. “Se eu desse aumento salarial, teria que aplicar índices diferentes para as várias categorias. Optei pelo vale, que solucionou outro problema.”

Com o reforço de R$ 100,00 no orçamento, os 200 funcionários do município (ativos e inativos) passaram a comprar na padaria, açougue e supermercado. “Só tinha uma padaria na cidade. Hoje, temos duas. Tínhamos dois supermercados e, em breve, teremos três. Com essa estratégia injetamos R$ 20 mil no comércio local.”

Um loteamento irregular pode se tornar um distrito industrial. “A idéia é montar um distrito industrial e comercial. Os dois alqueires ficam ao lado da usina.”

Os benefícios sociais para os moradores é outro atrativo para fixar as pessoas no município. “Temos uma rede de cinco médicos e oferecemos 100% dos medicamentos para quem ganha até dois salários mínimos.”

A manutenção dos aparelhos auditivos e os óculos das crianças, filhos de famílias com renda até dois salários mínimos, é garantida pelo município. “Instalamos o centro de recreação para crianças e adultos.”

Para atrair empresas para Avaí, o prefeito oferece, além da cessão do terreno, o potencial natural. “Aqui temos água em abundância. Estamos buscando empresas que utilizem esse potencial.”

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