Regional

Ações impediram "fuga" em Lençóis

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A diversificação de atividades salvou a cidade de Lençóis Paulista (43 quilômetros a Sudeste de Bauru) do êxodo da população. Os dados também foram comprovados pela pesquisa Data-ITE. O município, conhecido por ser sede de usinas de açúcar, conseguiu reunir um dos requisitos mais cobiçados: a chance de empregos em várias áreas. Com isso, a população se fixou e o desenvolvimento é visível. A cidade cresce em ritmo acelerado e consegue manter a qualidade de vida de um município de pequeno porte, sem a miséria dos grandes centros. Um sinal positivo que pode ser constatado é a não existência de favelas.

Outro parâmetro positivo é a evolução do nível de emprego no município. A estatística mostra que, de 1999 a 2002, a falta de vagas foi revertida para 782 novos empregos.

O caminho percorrido pela administração pública é simples: promoveu cursos de profissionalização; incentivou a criação de cooperativas e ofereceu, através do Banco do Povo, financiamento para pequenos negócios.

Para quem não nasceu em berço de ouro, a chance foi única. Segundo dados da prefeitura, 3.600 pessoas solicitaram o financiamento com juros de 1% ao mês, sem comprovação de renda. Cerca de 300 conseguiram o empréstimo de R$ 5 mil e montaram seus negócios, que, tudo indica, deram certo porque a inadimplência no banco não existe.

Na opinião do prefeito de Lencóis, José Antônio Marise (PSDB), um dos principais fatores que fixam a população na cidade são as condições de vida. “Aqui nós temos 100% dos domicílios servidos por água tratada e esgoto coletado. Estamos implantando o tratamento de esgoto.”

Outro item que favoreceu o crescimento populacional foi a instalação de empresas dos mais diversos ramos. “Sucroalcooleiro, celulose, recuperação de óleo, alimentícios etc. No total, são 40 que geram mais de 500 empregos fixos.” Na esteira do progresso, chegaram as indústrias de apoio. Elas fabricam componentes que completam a produção das grandes empresas.

A renda per capita da cidade é de R$ 350,00, porém, com o custo de vida baixo, a população consegue ter uma vida digna para sobreviver.

O retorno da geração jovem que saiu da cidade para estudar é uma constatação que alegra o administrador. “Os pais com maior poder aquisitivo mandaram os filhos estudar na Capital. Formados, eles retornaram para administrar a empresa da família. Com idéias mais arrojadas, deram impulso a novos empreendimentos.”

Novos investimentos

A administração pública investe para atrair novas indústrias e tornar a cidade um pólo, ainda que de pequeno porte, na região. “Queremos crescer com qualidade. Não podemos perder as características de Interior.”

Neste sentido, a cidade é privilegiada, diz Marise. “De 2000 a setembro de 2003, a cidade registrou seis homicídios. Temos mais policiais nas ruas do que é exigido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Temos sobra de energia elétrica e água. Aqui não tem racionamento de água.”

A cessão de espaço para instalação de novas empresas no distrito industrial já é uma realidade. “Em 2001, iniciamos a expansão do DI. Cerca de 18 empresas pleitearam. Dez delas vão se instalar.”

Para o prefeito, a busca pela geração de novas vagas é um desafio. “Uma equipe do município visita outras cidades, participa de feiras e procura aprender com as experiências que deram certo para implantar as idéias que ainda não foram geradas por aqui.”

A cooperativa criada para a reciclagem de lixo é um dos exemplos. Assim como acontece em outros municípios, o poder público reuniu os catadores de reciclável da cidade para formar a cooperativa. O resultado foi muito positivo. Eles deixaram a rua e aumentaram o ganho. Chegam a tirar, com algumas variáveis, até R$ 400,00 por mês.

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