Além de fazer uma detalhada avaliação pré-anestésica, o paciente terá suas funções vitais monitoradas minuto a minuto durante todo o procedimento anestésico. Tudo o que acontece com o doente neste período é registrado em computadores especiais, que sinalizam às menores alterações. Desta forma, o médico consegue intervir e reverter qualquer reação.
“O Conselho Federal de Medicina, em sua resolução 363 determina uma série de condições consideradas mínimas para a realização de um procedimento. Se o centro cirúrgico estiver inadequado a esses requisitos, o anestesiologista simplesmente se recusa a iniciar o procedimento”, garante o médico José Carlos Bonjorno Júnior.
A segurança é garantida por aparelhos que monitoram todas as funções vitais do paciente. Um eletrocardiograma mostra o ritmo do coração. Outros equipamentos acompanham a pressão sangüínea, a temperatura corporal e a liberação de gás carbônico do indivíduo. E também há aparelhos para controlar o nível de relaxamento muscular e atividade cerebral.
A concentração de oxigênio é controlada por um simples dedal. Uma lâmpada consegue captar a quantidade de oxigênio que chega ao dedo. “Se você tem 100% na ponta do dedo, significa que todo o corpo está sendo bem oxigenado”, salienta o médico.
Segundo ele, um em cada 1.000 pacientes tem reações leves à anestesia. A pessoa pode ter um broncoespasmo (alteração pulmonar), uma reação alérgica, náuseas, vômitos, pode acordar com dor de cabeça - são alterações simples, fáceis de resolver e que não colocam em risco a vida do doente.
“Hoje, até mesmo a administração das drogas anestésicas é feita por computador. O médico lança informações como peso, idade, sexo e o programa faz os cálculos e libera os medicamentos conforme a necessidade de cada paciente. O processo é semelhante ao sistema de injeção eletrônica dos carros mais modernos”, destaca Bonjorno Júnior.
Esse acompanhamento é mantido mesmo após a cirurgia. Na imensa maioria das vezes, o paciente é acordado tão logo termina a operação. Mas ele vai para uma sala de observação, onde continuará sendo monitorado por algum tempo para que o anestesiologista certifique-se de que não haverá reações ou, se houver, possa revertê-las rapidamente.
A medicina moderna defende que o paciente deve ser tratado da maneira mais rápida e eficaz possível, mas sem sentir dores. Por isso, além do anestésico, o paciente geralmente recebe uma dose de analgésicos para que se sinta bem ao despertar da anestesia.
Geral ou bloqueio
O médico Olegário Bastos salienta que a anestesia é uma soma de várias técnicas, que incluem amnésia (o paciente não se lembra da cirurgia), analgesia (ausência da dor), sedação (para acalmar), hipnose, relaxamento e atenuação de reflexos (ausência de movimentos). Segundo os especialistas, existem dois tipos principais de anestesia: a geral e a de bloqueio.
A anestesia geral é indicada para cirurgias mais complexas e demoradas. Os medicamentos de bloqueio são usados em procedimentos mais rápidos ou quando a região do corpo a ser tratada pode ser anestesiada isoladamente. Ambas podem usar drogas injetáveis e/ou inaláveis, conforme avaliação do profissional.
De acordo com Bonjorno Júnior, antigamente, a anestesia geral era feita com o paciente desperto, usando-se uma concentração alta de anestésico endovenoso, depois gás anestésico. O paciente acordava mal, entorpecido, geralmente com náuseas.
“Hoje, mantemos o anestésico inalatório (junto com o oxigênio) e o injetável continuamente, em doses compatíveis com a reação de cada paciente. A mudança na forma de aplicação e nas próprias drogas permite que o paciente tenha um despertar precoce e com uma qualidade impressionante”, salienta.
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