Saúde

Campanha incentiva teste anti-HIV

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

O Ministério da Saúde (MS) está investindo numa nova campanha de combate à aids no Brasil. Intitulada “Fique sabendo”, a ação pretende incentivar a população a realizar o teste anti-HIV para diagnóstico precoce da doença. Estima-se que haja cerca de 600 mil portadores do HIV no Brasil. Porém, destes, apenas um terço sabe que carrega o vírus. Todos os demais podem estar transmitindo a doença involuntariamente.

O diagnóstico precoce do HIV é fundamental para o controle da doença no País. Por um lado, permite que o portador inicie um tratamento para impedir as manifestações da aids e manter sua qualidade de vida. Por outro, reduz o índice de contaminações involuntárias.

O ministério cita como exemplo o caso das gestantes. O risco de uma mulher portadora do vírus transmitir o HIV para o feto é de 25%. Esse risco pode cair para 2% quando a gestante recebe o tratamento adequado durante o pré-natal e na hora do parto. Para isso, recomenda-se que toda mulher faça o teste anti-HIV logo no início da gravidez.

Em termos gerais, a meta do governo é dobrar o número de testes realizados anualmente no País, passando dos atuais 2 milhões para 4 milhões de exames por ano até 2006.

A campanha “Fique sabendo” foi oficialmente lançada em fevereiro deste ano, quando um concurso nacional resultou na criação de uma logomarca e uma camiseta. Mas a iniciativa acaba de ganhar novo fôlego com três vídeos que estão sendo veiculados em emissoras de televisão.

Estrelados pelos atores Rodrigo Santoro, Camila Pitanga e pela cantora Wanessa Camargo, cada vídeo é voltado a um público específico. Mas todos orientam a fazer o exame e trazem a mensagem “Você pode ser feliz, independente do resultado positivo ou negativo”.

“Ser portador do vírus da aids não significa o fim de tudo. A doença é tratável. Se o portador descobre precocemente, aumenta sua longevidade”, salienta o coordenador do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis – DST/Aids, Alexandre Grangeiro.

O teste anti-HIV é oferecido gratuitamente em mais de 300 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) espalhados por todo o Brasil, segundo a Agência Saúde. Ele deve ser realizado por todas as pessoas que tenham sido expostas a uma situação de risco para infecção, como manter relações sexuais sem preservativos ou compartilhar seringas.

“Quem passou por um situação de risco deve esperar algum tempo antes de fazer o teste. Normalmente, recomenda-se o exame três meses após a exposição à situação de risco, período suficiente para que o sistema imunológico possa produzir anticorpos em quantidade que permita serem detectados pelo exame”, explica a Agência Saúde.

Neste intervalo, deve-se ter cuidado redobrado nas relações sexuais e no uso de seringas, pois mesmo neste período em que o vírus fica incubado e não aparece no exame (janela imunológica), o HIV pode ser transmitido a outras pessoas.

O ministério salienta que o resultado do teste é fornecido em absoluto sigilo. Pessoas que recebem o resultado positivo são imediatamente encaminhadas a uma equipe multidisciplinar, que pedirá novos e mais específicos exames. Havendo a confirmação, o portador é encaminhado a grupos de apoio e inicia seu acompanhamento.

Segundo a Agência Saúde, o tratamento com o coquetel de medicamentos só é iniciado quando o portador apresenta sinais de evolução da aids. Se não houver tais manifestações, ele fará apenas um acompanhamento médico regular para observação do quadro, além de receber orientações para retardar ao máximo o aparecimento dos sintomas e das complicações. Ao mesmo tempo, ele aprende a evitar a transmissão do vírus a outras pessoas.

• Serviço

O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Bauru fica na rua Quintino Bocaúva, 5-45. O atendimento é realizado das 13h às 17h. O telefone para mais informações é (14) 3235-1468.

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Metas

De acordo com a Agência Saúde, o MS pretende ampliar em 170% o número de municípios que recebem recursos para ações contra a aids no Brasil. Com isso, 411 cidades passam a receber verba para programas específicos.

Até 2002, apenas 150 municípios recebiam esses recursos específicos. Com a ampliação do projeto, o valor total do repasse deverá ser de R$ 100 milhões por no, dois quais 10% serão destinados a organizações não-governamentais (ONG) que trabalham com a doença.

Até 2006, o governo quer reduzir o número de casos de 15 para 10 em cada 100 mil habitantes por ano; quer dobrar o consumo anual de preservativos de 550 milhões para 1,1 bilhão; e quer aumentar o índice de sobrevida dos doentes de 50% para 65%.

As ações devem priorizar a população de baixa renda, as mulheres, os jovens e a população vulnerável (grupos de risco).

Em todo o País, atualmente, existem 889 unidades de saúde que oferecem assistência às pessoas vivendo com HIV e aids. Os 135 mil pacientes que precisam de tratamento anti-retroviral recebem os medicamentos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Até 2006, a expectativa é de que 193 mil pessoas estejam em tratamento.

Segundo o ministério, para garantir o acesso aos medicamentos, o governo deverá manter a política de redução de preços dos remédios, intensificando a produção local de genéricos, ampliando as negociações com laboratórios detentores de patentes e usando a licença compulsória caso seja necessário.

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