É notório o clamor das populações das grandes cidades contra o ruído excessivo de suas vias públicas. Motivo insofismável: o barulho extrapola das ruas e avenidas e ganha amplamente o recesso de lares e outras edificações. Então, é mais que justificável o protesto das comunidades que, mesmo em situações normais, sem enfermos nas camas ou recém-nascidos nos berços, não suportam sem arrepios de mal-estar os potentes alaridos que vêm de fora, das fábricas e dos veículos, os quais, por isso, constituem hoje em dia um dos maiores desesperos do povo, pois que acaba sendo, provavelmente, o mais sério entrave do mundo moderno.
E isso não tende a parar, ou desaparecer espontaneamente, uma vez que de tempos a esta parte o homem desprendido tornou-se gerador contumaz de poluição em quase tudo que realiza ou constrói, como a criação de novos sistemas que trazem progresso, bem-estar e conforto, de um lado, mas descambam para setores desagradáveis e até contundentes, de outro ou muitos outros.
Opiniões indiscutíveis já situam o grito urbano como o maior inimigo da humanidade, pior que os entorpecentes, o álcool e o fumo. Mais ainda: estudos realizados em Paris definiram que os habitantes das metrópoles começam a ficar surdos aos 25 anos de idade, juntamente com as neuroses, estresses e rompimento dos tímpanos, tudo proveniente dos males dos barulhos. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e outras Capitais são catalogadas como autênticas caixas de ressonância nais quais os estrondos do tráfego se refletem, transformando-se em uma agitação sonora terrivelmente prejudicial à saúde.
Em revista, de grande penetração, que temos em mãos, um arquiteto opina “que o mau planejamento urbano, aliado à falta de prevenção das leis que regulam a construção de obras, é o responsável direto pelo aumento dos desregramentos sonoros nos avantajados centros urbanos, porque os prédios levantados um ao lado de outros ampliam os ruídos captados pelas paredes e as próprias avenidas ou ruas se transformam nos mencionados envólucros de ressonância.
A solução seria a construção de edifícios intervalados para saídas rotineiras dos sons. Na nossa Bauru que, dia a dia vai se tornando metrópole, uma belezinha, o problema já exige providências dos poderes municipais? Parece que ainda não. Respondam os arquitetos e urbanistas, não esquecidos os automóveis, motocas, caminhões, ônibus e outros veículos produtores do tal, juntamente com as fábricas que não só atropelam de madrugada as populações como as sacodem o dia todo com os apitos ou as fumaças de suas incontíveis chaminés. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.