O Núcleo de Controle de Vetores (NCV), órgão do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal da Saúde, precisou mudar o planejamento do combate à dengue em Bauru em função dos nove casos de leishmaniose visceral humana registrados na cidade. A informação é do coordenador do órgão, Flávio Tadeu Salvador.
Ele explica que, no plano original, a cidade foi dividida em três setores, com prioridade para o que reúne os bairros mais carentes. “Começamos um trabalho de rotina em julho e a previsão era terminá-lo em dezembro, mas a leishmaniose mudou totalmente a nossa forma de encarar o problema”, diz.
Salvador conta que a ênfase do trabalho está sendo dada, agora, aos bairros em que houve transmissão de leishmaniose visceral humana. “Em segundo lugar, estamos considerando os locais que têm transmissão de dengue consecutiva ao longo dos últimos anos, como o Jardim Bela Vista, o Núcleo Mary Dota e a Vila Falcão”, revela.
Segundo ele, os 110 funcionários do NCV estão passando aos moradores orientações simultâneas sobre as duas doenças. “São mosquitos distintos, com hábitos e criadouros também distintos, mas tudo acontece dentro das casas e a gente aproveita a mesma visita para falar das duas coisas”, diz.
O coordenador afirma que o planejamento pode sofrer nova alteração quando o primeiro caso positivo de dengue for detectado. “A partir desse momento, tudo tem que ser revisto, para sabermos se continuamos com a mesma estrutura ou se remanejamos equipes de um lado para o outro”, declara.
Neste ano, Bauru registrou 146 casos de dengue, sendo 131 autóctones (contraídos na mesma cidade) e 15 importados. O número é superior ao total de 2002, quando 121 pessoas contraíram a doença.
Salvador lembra também que, a cada ano, aumentam as chances do município registrar o seu primeiro caso de dengue hemorrágica, que pode afetar as pessoas que já contraíram a doença mais de uma vez. Esta é a forma mais grave da dengue e pode levar o paciente à morte. “Temos todo o cenário pronto, com transmissão espalhada pelo município inteiro e reincidência em bairros”, diz.
O chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão do DSC, José Rodrigues Gonçalves Neto, afirma que ainda é cedo para saber se o Município precisará reforçar a estrutura de combate à dengue em razão da leishmaniose. “A quantidade de casos de dengue e como eles estarão distribuídos é o que vai dizer para a gente se o número de funcionários é suficiente”, afirma.