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Manoel de Abreu amplia oncologia

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

A notícia de que o Hospital Manoel de Abreu vai inaugurar uma ala de internação para pacientes de câncer e que pretende ampliar o atendimento oncológico em Bauru já gera críticas. Antônio Luís Cesarino de Morais Navarro, diretor-superintendente do Hospital Amaral Carvalho, de Jaú, acha que a pulverização de recursos pode prejudicar os dois hospitais.

O novo setor é parte de um projeto maior da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que mantém o Manoel de Abreu, que pretende tornar o hospital um centro de referência e excelência em oncologia para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com José Cardoso Neto, administrador da AHB, o objetivo principal é ampliar os serviços e o atendimento para que os portadores de qualquer tipo de câncer não precisem sair de Bauru para realizar seu tratamento.

“Queremos ampliar o serviço oncológico. Nossa meta é que, futuramente, tenhamos também nosso centro cirúrgico e uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). O serviço de oncologia seria totalmente integrado”, declara Cardoso.

Atualmente, as cirurgias de alta complexidade, incluindo operações em portadores de câncer, são realizadas no Hospital de Base (HB), também de responsabilidade da AHB. Com a inauguração do Hospital Estadual (HE), em novembro de 2002, os atendimentos foram divididos entre as três instituições. O HB ficou responsável pelas cirurgias e atendimento emergencial; o HE, pelas cirurgias eletivas e internações; e o Manoel de Abreu, pela oncologia.

O hospital já conta com o Centro Regional de Oncologia de Bauru, que realiza tratamentos de rádio e quimioterapia. O diretor técnico do Manoel de Abreu, Luís Alberto Garla, e os médicos Wilson Peixoto e Paulo Eduardo de Souza afirmam que a intenção da AHB é oferecer todos os serviços que o portador de câncer necessita.

“Queremos ser completos, um centro de excelência. Temos a consciência de que agora não seremos iguais a outros centros, mas vamos caminhar para isso. Estamos começando e queremos amadurecer, porque queremos um serviço sólido”, diz.

A primeira etapa do projeto foi a restauração da antiga ala de internação. De acordo com Cardoso Neto, a reforma, que também incluiu a restauração de móveis, teve custo aproximado de R$ 120 mil, com recursos da AHB. São 27 leitos para adultos e dois leitos infantis, mais um pequeno jardim externo para os pacientes.

A Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC), parceira da AHB no projeto, também investiu cerca de R$ 30 mil na nova ala, principalmente para a pintura, jardinagem, compra de aparelhos de TV, dos enxovais de todos os leitos e para a preparação dos leitos infantis. A presidente da entidade, Lyenne Berriel Cardoso, esclarece que a parceria com o hospital será ampla, na intenção de melhorar a qualidade de vida dos portadores da doença.

“Teremos uma sala de apoio (no hospital), para corte de cabelo e unha, artesanato, biblioteca, revistas, para o paciente e o acompanhante passar o tempo, mas também com um trabalho psicossocial. Vamos estar mais perto, entrosados com os médicos e enfermeiros, para termos a total humanização do atendimento”, declara.

Todos os recursos da ABCC foram obtidos com a promoção McDia Feliz, da rede McDonald’s. “Suprimos as coisas que faltavam. Estamos ajudando para que Bauru realmente tenha um hospital do câncer”, afirma Lyenne.

O Manoel de Abreu ainda conta com a parceria da Fundação Luís Fernando Almeida Maia, que realiza o transporte gratuito dos pacientes para o tratamento de quimio e radioterapia.

Cronograma

A data da inauguração da nova unidade de internação ainda não foi marcada porque a AHB aguarda a confirmação da presença do secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata.

“Queremos que ele veja o que fizemos, com recursos próprios e de parceiros, e também pedir sua ajuda, para tentar acelerar as reformas”, diz Cardoso Neto.

Os próximos setores a passar por reformas no Manoel de Abreu serão o ambulatório e a clínica de exames. Cardoso prevê que a restauração do ambulatório custe R$ 40 mil. Estariam incluídos, juntamente com o ambulatório do HB, serviços de cirurgia oncológica, urologia, cirurgia de cabeça e pescoço, tórax, gastroenterológica, dermatológica, ortopedia oncológica, ginecologia oncológica, mastologia e neurocirurgia.

Há planos de ampliar a unidade de internação, com a reforma de outra ala ligada ao prédio. Além de um total de 60 leitos para portadores de câncer, esta área também teria locais apropriados para instalação de um centro cirúrgico e de uma UTI. “A previsão é de que comecemos a mexer (no último prédio) no segundo semestre do próximo ano. Até lá, vamos finalizando o ambulatório e a parte dos exames”, diz o administrador da AHB.

Mário Vieira da Silva, 57 anos, é paciente de quimioterapia no Manoel de Abreu em virtude de um câncer no pâncreas. Ele acredita que a criação de novas instalações para o serviço são benéficas para os pacientes.

“Sempre me tratei no hospital. Já fiquei internado por três meses, na ala antiga. Você já está ali tomando soro por 12 horas, ao lado de companheiros que também estão sofrendo. Com tudo novo, as cores bonitas das paredes, fica mais confortável para os pacientes. Um ambiente mais agradável, e os médicos e enfermeiras que sempre tratam a gente bem, ajudam a gente a se animar mais”, conclui.

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