Polícia

Mortes na hemodiálise sobem para 4

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Morreu, na última sexta-feira, mais um paciente usuário da unidade de hemodiálise do Hospital de Base (HB) de Bauru. Dessa vez, a vítima foi Cristiane Regina da Cruz, 31 anos, moradora de Duartina. Com isso, sobe para quatro o número de mortes suspeitas de serem decorrentes de contaminação pela água da central de tratamento que está interditada.

A causa da morte ainda não foi esclarecida, mas a família desconfia que possa estar ligada à bactéria encontrada na água da central de diálise do HB. “Ela começou a se sentir mal depois que usou o equipamento do Hospital de Base, há cerca de 20 dias”, explica a irmã da vítima, Sandra Lúcia da Cruz Oliveira.

De acordo com ela, a última vez que Cristiane fez hemodiálise em Bauru foi no dia 3 deste mês. Depois, a paciente foi transferida para Lins, devido à suspensão do serviço em Bauru.

A tia da vítima, Aparecida de Souza Carvalho, destaca que desde o começo do mês, Cristiane apresentava febre alta e dor no corpo. “Ela comentou que, na última vez que usou a máquina em Bauru, sentiu tremores por todo o corpo e passou mal”, salienta.

Quinta-feira da semana passada, Cristiane foi, como de costume, para Lins, onde realizou a diálise. Durante a madrugada de sexta-feira, ela se sentiu mal em sua casa e foi levada para o hospital Santa Luzia, em Duartina. De acordo com a médica que a atendeu no plantão, Herli Meister, ela chegou apresentando pressão arterial de 30 por 18, considerada muito alta.

A tia da vítima conta que a médica tentou conseguir vaga para a paciente no Hospital de Base de Bauru e em Lins, sem sucesso. “Eu acho que, como ela estava em tratamento nesses dois hospitais, eles tinham obrigação de socorrê-la”, destaca Aparecida.

Por volta das 13h de sexta-feira, Cristiane morreu em sua cidade. A causa da morte está sendo apurada através de uma autópsia realizada no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru.

Herli Meiser não quis adiantar o que poderia ter causado o óbito da paciente. “Só vou falar quando tiver o laudo do IML”, afirma, categórica.

De acordo com a irmã de Cristiane, Sandra Carvalho, no hospital em Duartina, comentaram que ela teve parada cardíaca e respiratória. “Os próprios médicos falaram para a gente que acharam muito estranho os sintomas dela”, salienta.

Índice de mortalidade

A nefrologista do HB, Maria Regina Trotta Pinheiro, afirma que a morte de Cristiane não tem nada a ver com os problemas detectados no sistema de hemodiálise do hospital. “Ela morreu devido a um edema agudo de pulmão, uma causa comum em doente renal crônico. É uma falha do coração, que inunda essa parte do corpo de água”, explica.

Ela diz que, por acaso, conversou com o médico legista que fez a autópsia e ele adiantou a causa da morte de Cristiane.

Pinheiro salienta que o índice mundial de mortalidade dos doentes renais crônicos é de 23% e que, em Bauru, fica na casa dos 14%..

Laudo

Segundo ela, o problema da contaminação do sistema de diálise já estaria sanado. O laudo para avaliar a qualidade da água utilizada no tratamento deverá ser divulgado na próxima semana.

A unidade de diálise do HB está fechada desde o início deste mês, quando foi detectado que alguns pacientes estavam sentindo tremores e calafrios ao se submeterem ao processo de filtragem do sangue, feito pelas máquinas da instituição.

De lá para cá, foram constatadas as mortes dos pacientes João Lopes Sanches, 68 anos (vítima de infecção), e Archimedes Marins Machado, 75 anos, que teve insuficiência cardiorespiratória e renal crônica, além de septicemia. Outro paciente da hemodiálise morreu no final de setembro, de pneumonia, mas Pinheiro afirma que essa morte não tem nenhuma relação com a contaminação da água.

A administração do hospital diz que já foram trocados a tubulação, as peças e os filtros usados para o tratamento dos pacientes.

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Para Abrec, há coincidência

A Associação Bauruense de Apoio ao Renal Crônico (Abrec) está acompanhando o caso da contaminação da água usada na hemodiálise do Hospital de Base, mas acha prematuro ligar as mortes dos pacientes ao problema.

Nelson Rosa, presidente da associação, acha que a seqüência de mortes na mesma época que foi detectada a presença de bactéria na água da hemodiálise pode ser coincidência. “Vamos esperar o hospital apurar o que aconteceu, mas não acredito que seja decorrente da hemodiálise”, finaliza.

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