Polícia

Golpe invalida 16 mil passes de ônibus

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Dezesseis mil passes de ônibus coletivos, que podem estar sendo comercializados no mercado paralelo, foram invalidados ontem. Eles não serão aceitos pelos cobradores no interior dos coletivos em função de um golpe aplicado contra a Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), apesar de usuários reclamarem que não é justo eles arcarem com o prejuízo.

O estelionato, ocorrido há uma semana, só foi comunicado ontem à polícia e à imprensa. Com a demora, os bilhetes série A com numeração entre 01201 e 01800 (veja quadro) foram esparramados pela cidade, podendo lesar usuários e comerciantes.

“É injusto que as pessoas tenham que pagar por isso. Ninguém tem a ver com esse golpe”, reclama Elisângela Pereira Santos, que aguardava um circular num ponto de ônibus ontem à tarde.

Por sorte, ela não havia comprado passes com a numeração invalidada, assim como Ana Maria da Silva e Judith Guilhermino da Silva.

“A culpa não é do usuário. Hoje (ontem), por exemplo, estou só com um passe e R$ 0,40 na bolsa. E se me barrassem?”, questiona Ana Maria. Na opinião dela, os usuários nessas circunstâncias, deveriam ser liberados já que não são responsáveis pela ocorrência e não devem assumir o ônus.

Prejuízo tomou uma trabalhadora informal que preferiu não se identificar. Ela comprou um lote de bilhetes invalidado e os revendia enquanto conversava com o JC.

“Foi uma irresponsabilidade da Transurb divulgar o golpe tão tarde. Posso amargar prejuízo de mais de R$ 22,00, o que é bastante para mim. Não tenho avisado os clientes sobre o problema, mas desde que soube (do golpe), tomo cuidado para não adquirir os passes inválidos”, explica ela.

Através da própria Transurb, a trabalhadora foi comunicada erroneamente de que o lote cancelado tinha outra numeração, por isso estava aparentemente tranqüila. Quando recebeu a informação correta, demonstrou preocupação já que dispunha de bilhetes com a série e lote invalidados.

Polícia

Primeiramente, a Transurb também informou uma numeração equivocada ao jornal e à Polícia Civil. O caso foi registrado no 3.º Distrito Policial como estelionato com quase uma semana de atraso porque a Transurb alega que só tomou ciência do prejuízo quando os bancos não descontaram os cheques usados na compra dos bilhetes.

De acordo com o delegado Mário Henrique de Oliveira, o golpe teria sido praticado no dia 17, na Loja de Passes, na quadra 9 da rua Araújo Leite. Na ocasião, um homem teria efetuado três compras de passe em três caixas diferenciados e com três cheques roubados. Todos os bilhetes foram adquiridos pelo valor de R$ 1,20 e através de senhas de empresas idôneas.

Da primeira vez, o estelionatário comprou 5.680 passes com um cheque do Banco do Brasil de R$ 6.816,00. Na segunda compra foram adquiridos 6 mil passes com um cheque do Unibanco no valor de R$ 7.200,00. Por fim, usou um cheque de R$ 5.400,00 do Itaú. No total, foram adquiridos 16.180 passes, prejuízo de R$ 19.416.

Segundo Oliveira, os golpes foram próximos porque os bilhetes estão na seqüência. “Agora verificaremos onde foram registrados o roubo e o furto destes cheques. Vamos atuar em duas frentes. Uma cópia do registro do boletim de ocorrência foi encaminhado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG)”, ressalta.

A polícia também vai percorrer as bancas para apreender os passes inválidos e para apurar de quem o material foi comprado. Ontem à tarde um vendedor já havia sido localizado pela polícia. O rapaz alegou não lembrar a identificação do homem que o repassou os bilhetes, mas ficou de colaborar.

Se ele não ajudar os policiais e se essa prática for configurada como dolosa, o ambulante pode ser enquadrado como receptador, crime que prevê a pena de reclusão de um a quatro anos. Já o responsável pelo estelionato, se for localizado e julgado, pode pegar de um a cinco anos.

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Mercado paralelo

A Associação das Empresas do Transporte Coletivo de Bauru (Transurb) recomenda que os usuários evitem comprar passes de ônibus de terceiros. Ao adquiri-los na Loja de Passes, localizada na rua Araújo Leite, 9-6, eles não correm o risco comprar os bilhetes invalidados. Os passes não serão aceitos pelos cobradores do interior dos circulares.

De acordo com a assessoria de imprensa da Transurb, os funcionários já foram orientados sobre o problema.

Porém, para o Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários (Sindtran), a medida de avaliação de cada bilhete vai sobrecarregar os cobradores, que já realizam outras atividades, como colar os passes em cartelas.

“Não vamos aceitar que o ônus recaia sobre os trabalhadores, caso, eventualmente, um deles receba os passes cancelados. Há muito tempo nós estamos cobrando medidas que acabem com o mercado paralelo. Antigamente uma legislação garantia exclusividade de venda à Empresa Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano de Bauru (Emdurb). Depois, não sei como ficou”, diz o presidente da entidade, Elias Pinheiro.

Ele acredita que o comércio também deve ser restrito somente à Transurb, que passou a comercializar os passes no dia anterior ao golpe. Antes, a atribuição era da Emdurb, para quem a compra de 16 mil passes é uma quantidade normal entre as empresas que compram os bilhetes.

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