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Terapia ajuda a combater o estresse

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Plantado em miniatura na bandeja. Este é o significado de bonsai, arte milenar japonesa que a cada dia ganha novos adeptos ávidos pelos benefícios propiciados pela “plantinha”. Um dos principais é que o cultivo do vegetal pode ajudar a combater o estresse gerado pela correria do dia-a-dia.

O bauruense Luiz Yassuo Nakamura, especialista em bonsais há 14 anos, diz que a arte vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil, Japão, Estados Unidos e em todos os países da Europa. Ele afirma que o bonsai transformou sua vida. “Sempre me caracterizei pela ansiedade, mas acabei encontrando uma nova opção de vida, que foi a prática desta arte”, destaca.

Segundo Nakamura, os exercícios de relaxamento, respiração e concentração utilizados durante o cultivo o ajudaram a mudar seu temperamento. “Deixei de ser explosivo para ser mais harmonioso, o que vem me auxiliando para enfrentar as tensões diárias e diminuindo sensivelmente meu nível de estresse”, enfatiza.

Por isso, argumenta o especialista, atualmente ele procura fazer tudo ao seu alcance para popularizar a existência dos bonsais e as vantagens, não apenas pessoais, de seu cultivo. “O valor estimativo de um bonsai é muito significativo para quem os cultiva. Para ele não há preço e nada que pague o sacrifício e investimento de longos anos”, frisa Nakamura.

Ele salienta que, antigamente, cultivar bonsais era considerado um hobby elitista, relegado aos mais ricos ou aposentados com grande poder aquisitivo. “Hoje isso mudou, pois, além de ser uma arte, é um hobby ao alcance de qualquer pessoa”, relata.

Opções de espécies não faltam para quem quiser iniciar-se na arte. Somente Nakamura cultiva 250 - 40 delas frutíferas -, das mais de 2 mil existentes em todo o mundo. As mais indicadas são as que possuem caules lenhosos, como as coníferas - abeto, cedro, ciprestes, juníperos, pinheiros e tuias - e caducas, como cerejeiras, figueiras, jacarandá, magnólia e paineiras.

As frutíferas também são excelentes para serem cultivadas em vasos. Há uma imensa variedade, mas as melhores, segundo Nakamura, são figueiras, jabuticabeiras, goiabeiras, pitangueiras, jambeiras, pessegueiros e ameixeiras, entre outras.

Apesar disso, o especialista estimula o uso de qualquer espécie vegetal. “Não há necessidade de seguir rigorosamente o critério de plantas mais adequadas, pois qualquer que seja de caule lenhoso pode ser cultivada”, frisa. “Cada um deles é um exemplar único, pois suas formas são moldadas pelo homem. Por isso, ele é considerado arte, que exige sensibilidade e criatividade”, complementa.

Desta forma, quem pensa em começar deve procurar um curso para aprender as técnicas, pois a tarefa posterior de cuidá-las não é complicado. “Os bonsais não são plantas trabalhosas, pois no Brasil podem ser cultivadas e suportam qualquer estação do ano”, esclarece Nakamura.

O especialista bauruense explica que, basicamente, os bonsais necessitam de água e sol para desenvolver-se. Por isso, devem permanecer nos ambientes mais naturais possíveis. “Excetuando-se os feitos para interiores, originalmente eles não são adornos e precisam ficar em contato com a natureza”, alerta ele.

Outros cuidados importantes, conforme Nakamura, são as adubações, pulverizações, replantes, podas e combates a pragas e insetos. “São manuseios que tornam o cultivo dos bonsais um verdadeiro hobby”, diz ele.

Outra característica marcante dos bonsais é seu tempo de vida, que varia conforme a espécie. No entanto, segundo Nakamura, em média eles são centenários. “É uma arte que requer muita paciência, principalmente para se ver o resultado”, pondera Nakamura.

Apesar de destacar que o mercado nacional de bonsais existe e já se consolidou, o cultivador bauruense dos vegetais destaca que eles não deixam ninguém “rico”. Além disso, para se ganhar dinheiro com as plantas é preciso, acima de tudo, paciência. “São plantas que se valorizam muito, mas o retorno do investimento é a longo prazo”, afirma Nakamura.

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Origens

Não existe uma data específica, mas pesquisadores estimam que o início do cultivo do bonsai se deu por motivos religiosos no século X, na China, através do Taoísmo. Nessa época, existia a crença de que as montanhas, com suas árvores, florestas e pedras, estivessem carregadas de poderes espirituais.

Desta forma, miniaturizando a paisagem montanhosa e levando-a para o interior de uma residência, acreditava-se que tais poderes eram possuídos de forma concentrada e cultuadas como um santuário.

Graças aos intercâmbios entre China e Japão, há cerca de 800 anos, a cultura começou a ser difundida no segundo país, que deu a origem a palavra bonsai (na China, é conhecido como “Pen Jin”). No entanto, apenas em meados do século XIX é que se estabeleceram os princípios estéticos dos bonsais, que se baseiam no equilíbrio assimétrico.

No mundo ocidental, as “plantinhas” fizeram suas primeiras aparições em duas exposições, uma em Paris, em 1898, e outra em Londres, em 1909. Como no Japão e no Ocidente, os aficcionados pelos bonsais aumentaram muito após a Segunda Guerra Mundial. Desde então, a arte foi se popularizando mundialmente.

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