De acordo com a ginecologista Carla Lambertini Bonjorno, o que mais leva adolescentes ao consultório do especialista são as dúvidas sobre métodos contraceptivos. “E o que me deixa muito preocupada é que elas só querem saber sobre pílula anticoncepcional, sem demonstrar qualquer preocupação com as doenças sexualmente transmissíveis”, afirma.
Segundo a médica, é fundamental que o médico explique e enfatize a importância do uso simultâneo do preservativo. “Se ela quiser ter um contato sexual consciente e sadio, um não pode estar separado do outro. Ela pode tomar a pílula, mas sem dispensar o uso do preservativo em todas as relações sexuais”, reforça.
Outra dúvida muito comum nos consultórios, segundo a médica, é quanto à regularidade do ciclo menstrual. “A maioria das meninas chega aqui achando que ser regulada é menstruar no mesmo dia todos os meses e não é assim. Temos que explicar que o ciclo varia entre 28 e 32 dias e que essa variação também é normal”, comenta.
As cólicas e as mudanças estéticas também aparecem nestas consultas. As meninas querem livrar-se das dores e temem o aparecimento de espinhas (acne), estrias e celulites. “Aí temos outro problema. Algumas meninas não querem tomar a pílula porque dizem que vão engordar ou ter câncer. Outras, ao contrário, pedem a pílula só para aumentar o tamanho dos seios”, destaca a médica.
Segundo ela, as doses hormonais usadas atualmente nas pílulas são extremamente baixas e não influenciam na mudança estética. “Inclusive, isso é uma preocupação para os médicos, porque as meninas têm um esquecimento muito grande e um atraso superior a oito horas já compromete a eficácia do anticoncepcional. Então, o médico tem que exigir muita disciplina da adolescente”, ressalta.
Bonjorno destaca que o início da atividade sexual tem sido cada vez mais precoce. A maioria das meninas mantém sua primeira relação sexual por volta dos 15 anos. Muitas começam ainda mais cedo, com 12 ou 13 anos.
Ela observa que a relação sexual para a mulher precisa de muitos cuidados. O ideal seria que a menina procurasse um ginecologista antes de ter sua primeira experiência para estar bem informada e para ter chance de planejar e programar sua primeira vez.
“Mas o que acontece na maioria das vezes é o casal procurar um lugar escondido, num tempo restrito, pulando os carinhos preliminares, fazendo tudo no improviso e isso pode não ser prezeroso para ela, causando até um problema de sexualidade para toda a vida”, afirma.
Acompanhante
Quando se fala em consulta ginecológica, a menina logo se pergunta se a estará sozinha ou acompanhada da mãe. A maioria dos médicos divide a consulta em duas partes. A mãe é convidada a entrar com a filha. É ela quem vai dar informações sobre doenças da infância, tratamentos anteriores, cirurgias e outros detalhes da paciente.
Porém, na hora de fazer o exame clínico, quando o médico vai avaliar o corpo da paciente, a maioria dos profissionais pede que a mãe se retire do consultório. “Normalmente, a menina se solta quando a mãe sai. É normal ela ter vergonha de perguntar certas coisas na frente da mãe, por mais amiga, confidente e liberal que a mãe seja”, enfatiza.
“Algumas meninas vêm sozinhas. Eu oriento a conversar com os pais, porque a maioria dos pais não se opõe quando a filha demonstra consciência e responsabilidade. Além disso, seria interessantíssimo ela convidar a mãe para fazer uma consulta também”, completa.
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