Minha história de amor com o André começou em agosto deste ano. Mais precisamente dia 17, umas quatro horas da manhã de um domingo, em uma festa à fantasia. Minha primeira festa à fantasia. Eu, uma enfermeira, ele um havaiano.
Boas recordações tenho dessa festa. De lá para cá, embarcamos num namoro que dura dois meses, mas no qual já vivemos muita coisa juntos.
Vínhamos nos conhecendo normalmente. Conheci sua família e ele a minha, conheci seus amigos e ele, os meus. Trocávamos idéias, planos, sonhos...
O André um dia chegou para mim e disse ter mudado de emprego. Até aí tudo bem. Começou a trabalhar com uma turma legal, com patrões maravilhosos e, por esse motivo, dava tudo de si. Não queria impressionar, queria mostrar trabalho e que merecia não só o emprego como a admiração dos seus patrões.
Porém, o nosso destino é imprevisível e a vida, às vezes, nos prega peças. Numa noite, quando ligo para o André, sua avó atende do outro lado em prantos. A notícia que ela me passou, por um momento, me fez perder o chão.
O meu André havia sofrido um grave acidente, fraturou a décima primeira vértebra da coluna, com riscos de ficar paraplégico.
“Meu Deus, o André não merecia isso, todos os seus sonhos, todos os seus planos, e ele é tão jovem ainda, que injustiça seria...”
Daí para a frente começou a nossa luta. A luta pela vida com a fé em Deus.
A Cíntia, mãe dele, não me deixava sem notícias e, todos os dias, quando eu chegava do serviço, combinava o horário com a minha sogra, me vestia toda de branco como uma enfermeira e ia visitá-lo. Dizia a ele que eu era sua enfermeira particular.
Eu levava amor, carinho e fé. Rezávamos juntos uma oração a Deus e fazia ele sorrir com algumas bobagens que eu lhe contava, só para espairecer.
Não acreditei, quando um dia me disse que, se ele ficasse paraplégico, ele não iria ligar ou ficar bravo comigo se eu largasse dele, porque eu era uma pessoa muito bacana para ficar presa a um inválido.
Chorei, chorei muito, por ele, com ele e por mim.
O meu amor por ele me dizia que eu não iria ficar com nenhum inválido e a minha fé em Deus me dizia que eu iria continuar namorando um André inteiro.
O seu caso era grave e foi discutido com especialistas em Botucatu. Tinha riscos e eu, assim como o André e a Cíntia, conhecia bem esses riscos. Mas isso não me fez separar do André.
Seu médico foi maravilhoso e havia prometido para a Cíntia que trataria dele como filho, como seu filho.
Transferido do HB para o Hospital Estadual, ele foi operado. Continuei com a nossa oração que fazíamos juntos no quarto do hospital, assim como a sua mãe e familiares, seus amigos, seus patrões e os que o conheceram no hospital.
Agradeço a todos que oraram por ele, sendo católicos, evangélicos, espíritas e aqueles que apenas pensaram no seu bem-estar.
A operação foi um sucesso. Tudo transcorreu bem e hoje o André se recupera.
Prometi a Deus fazer 1.000 grous de papel - uma dobradura origami - pela sua recuperação, estou cumprindo com alegria.
A Deus, só peço mais uma coisa: que além dele proteger o André e o nosso amor, que esse nosso amor dure um pelo outro tanto quanto a nossa fé no Senhor.
Para vocês, leitores, deixo a oração que fazemos, que me foi dada por um amigo:
“Senhor, tu podes todas as coisas, tu podes conceder-me a graça que tanto almejo, cria Senhor, as possibilidades para a realização do meu desejo, em nome de Jesus, amém.”
O meu muito obrigada a todos que continuam orando. André, que você saiba que eu pedi a Deus um amor maior que eu, e este está sendo maior do que eu pensei. Te amo muito, meu Paggy.
Beijos de sua...