Quando amamos alguém, mesmo que consigamos ver seus defeitos, jamais permitimos que outros comentem esses defeitos, aos quais logo minimizamos e procuramos explicar. Por que não fazer o mesmo com a cidade que amamos? Por que ficar só insistindo nas suas mazelas? Seu solo é arenoso, friável, fácil de provocar buracos e voçorocas e ruim para a agricultura? E daí? Nem tudo que uma cidade precisa se restringe à qualidade de seu solo. Outras muitas utilidades pode ter uma cidade e a nossa já apresenta vocações bastante acentuadas para ser uma grande cidade universitária, uma cidade com grande enfoque para a cultura, a arte e o progresso científico. Então, por que não aproveitar esse fator positivo para lutar por uma boa faculdade de medicina e/ou mesmo de veterinária? Outra vantagem de Bauru é que, por ser pólo regional, congrega, sempre com muito sucesso, eventos de negócios, apresentando uma espécie de turismo que outras cidades não têm que é o turismo comercial ou de negócios. São estes os pontos positivos que devemos cultivar e ressaltar da nossa cidade, como fazemos quando alguém que amamos está na berlinda e surgem comentários desairosos a seu respeito. Tratamos logo de se fazerem observar seus aspectos melhores, que as pessoas maldosas insistem em não ver, pois sempre existe algo de bom a ser observado. Lembram-se da estorinha de Cristo quando observou os belos dentes do cachorro morto e todo podre?
Sempre existe algo de bom, se soubermos enxergar com o coração, com os olhos de Jesus Cristo, que, felizmente para nós, consegue enxergar, no meio de nossas mazelas, algum resquício que tenhamos em nós de bom. Façamos o mesmo pela nossa cidade, procuremos enxergar nela o que tem de bom e usarmos esse argumento, como a semente para se plantar algo melhor para o seu futuro.
Isolina Bresolin Vianna - Academia Bauruense de Letras, Cad. 12