Avaí - Sessenta e um professores foram graduados em magistério nível médio, na semana passada, para dar aulas a alunos das comunidades indígenas do Estado. Entre as quais, estão as quatro de Avaí (39 quilômetros a Noroeste de Bauru): Kopenotí, Ninuendaju, Ekeruá e Peruguá.
Os docentes que participaram do curso pertencem às etnias kaigang, krenack, terena, guarani e tupi-guarani. Além das quatro comunidades indígenas de Avaí, serão beneficiadas outras 20 de 13 municípios do Estado. A maioria está situada no litoral.
De acordo com os cálculos da Secretaria de Educação, a formação de professores dentro das próprias aldeias deve facilitar o aprendizado de 700 alunos, entre 7 e 14 anos, que estão aptos a cursar o ensino Fundamental (de 1ª à 4ª séries). Os alunos de 5ª série em diante serão atendidos nas escolas estaduais.
A formatura da primeira turma de professores indígenas foi acompanhada por mais de 1.200 índios, no Palácio dos Bandeirantes. Educadores e autoridades também estiveram presentes. A primeira dama do Estado, Maria Lúcia Alckmin, foi a paraninfa da turma.
O curso de magistério indígena foi gratuito, com investimentos da Secretaria de Estado da Educação no valor de R$ 2,6 milhões, disponibilizados pela Fundação de Apoio à Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (Fafe-USP).
Em entrevista coletiva, o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), informou que a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) foi fundamental para a efetivação da cultura indígena e da estruturação das escolas bilíngües no Estado.
Durante o evento, o secretário da Educação, Gabriel Chalita, informou que o principal objetivo da regulamentação dos cursos e escolas indígenas é atender às comunidades de todas aldeias existentes no Estado.
Segundo ele, São Paulo é o primeiro Estado a conseguir universalizar o ensino fundamental, incluindo o ensino indígena.
Além das 24 escolas indígenas, uma em cada comunidade, foram construídas 27 moradias, para as quais, segundo o governador, foram respeitadas as normas das próprias aldeias.
Outras 107 moradias estão sendo construídas pela Companhia do Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU) e serão concluídas até o fim deste ano.
Em Avaí, serão 30 moradias indígenas: 20 na aldeia Terena e dez na aldeia Guarani. A divisão foi proporcional à população de cada aldeia.
Enquanto as comunidades de etnia terena abrigam cerca de 315 índios, as da etnia guarani formam um grupo de 170 índios.
O secretário Chalita enfatizou que quando houver necessidade serão abertas novas turmas para os cursos.
O Brasil tem hoje cerca de 345 mil índios. Desse total, estão no Estado de São Paulo, no máximo, 4 mil, segundo dados divulgados pela Secretaria da Educação.