O detento da Penitenciária 1 de Bauru Nilton Antonio dos Santos, que cumpria pena de cinco anos e seis meses por furto, conseguiu fugir na madrugada de segunda-feira do Pronto-Socorro Central, onde estava internado. Ele teria pulado a janela do quarto de isolamento, quando o agente de segurança foi tomar água, e desapareceu.
A fuga foi comunicada à Polícia Militar (PM), que deslocou viaturas para tentar localizá-lo. Até o fechamento dessa edição, ele continuava foragido. A ocorrência foi registrada no Plantão Policial e encaminhada ao 3.º Distrito Policial, que vai investigar as circunstâncias da fuga por meio de um inquérito que será instaurado.
De acordo com o boletim de ocorrência, ao perceber que o detento estava dormindo, o agente foi tomar água a 15 metros do leito de Santos, que aparentemente permanecia algemado – com uma argola presa no pulso esquerdo e outra na cama. Dois minutos depois, quando retornou, o detento já havia escapado.
O agente de segurança suspeita que Santos tenha fugido através da janela basculante do quarto, que ficaria a dois metros e meio do chão. O fato de ter notado uma cadeira sob a janela justificaria a suspeita.
O funcionário ainda informa no boletim de ocorrência que o recluso não recebeu visitas e que, por volta das 23h, a enfermeira trocou o soro dele que havia apresentado problema. O material foi descartado no lixo - retirado posteriormente pela faxineira. Para o agente de segurança, Santos não teve alcance ao lixo nem a qualquer outro objeto metálico.
O agente assumiu o serviço de escolta às 18h40 de domingo, mas o foragido estava internado, queixando-se de uma úlcera, desde quinta-feira da semana passada. O preso fugiu com os trajes da penitenciária, ou seja, com camiseta branca, calça marrom e chinelo.
“A fuga não é crime. Ela só é punida desde que haja violência ou ameaça. Vamos apurar como ocorreu e se houve facilitação por parte do funcionário”, explica o delegado, do 3º DP, Marcelo Haddad
Paralelamente ao inquérito policial, será aberta uma sindicância na P1 para também investigar se houve falha do servidor, segundo informa o diretor da penitenciária Wilson Elorza Júnior.
Ele explica que o conteúdo da sindicância será encaminhado ao Gabinete da Secretaria das Administração Penitenciárias, órgão que poderá instaurar um processo punitivo contra o agente caso a responsabilidade funcional seja comprovada.
“O funcionário pode sofrer uma sanção disciplinar que pode resultar até em suspensão” diz Elorza.
Em março, um outro funcionário passou pelo mesmo processo, após autorizar a entrada na P1 de uma Kombi na qual três detentos fugiram. O trio ficou escondidos entre o chassi e o fundo da carroceria do veículo e foi resgatado por duas mulheres e um homem. A amásia de um deles comunicou a fuga à polícia.
Quando recapturados, voltam ao regime fechado nas penitenciárias e o tempo que ficaram fora é acrescido ao total da pena a ser cumprida.
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Como aconteceu a fuga
• Agente de segurança se ausenta do quarto por cerca de dois minutos para tomar água; detento parecia estar dormindo e algemado.
• Preso supostamente escapa por uma janela basculante com o auxílio de uma cadeira que estava no quarto.
• Funcionário da P1 percebe a fuga, comunica superiores, aciona a PM e registra boletim de ocorrência.