Cultura

Invadindo a praia

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

O álbum de estréia do Ultraje a Rigor, “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, de 1985, está presente em todas as listas de melhores discos de rock brasileiros de todos os tempos que se preze. A razão é simples, o LP, lançado num momento em que o grupo já era uma frebre nas rádios devido ao sucesso do compacto que trazia “Eu Me Amo” e “Rebelde Sem Causa”, é até hoje impecável em todos os seus elementos - da capa às letras bem-humoradas.

Tanto que de suas 11 faixas (mais tarde o CD trouxe mais quatro bonus tracks com uma inédita), oito se tornaram clássicos dentro do repertório da banda e também do rock nacional, além das duas já citadas, “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, “Mim Quer Tocar”, “Ciúme”, “Inútil”, “Marylou” e “Independente Futebol Clube”.

É bem provável que o grupo cante todas elas e mais outros hits que vieram depois, como “Sexo!!”, “Pelado” e “Eu Gosto de Mulher”, no show de hoje à noite na Cervejaria dos Monges. A 96 FM, que realiza o evento em comemoração aos seus 20 anos de existência, transmite o show a partir das 22h, até o final, com uma equipe de locutores fazendo intervenções de dentro da casa noturna.

Só o histórico da banda, que nasceu em São Paulo há 22 anos, já é mais que um convite para prestigiar o evento, que marca um recorde na cidade. Segundo Guto Guedes, presidente do fã-clube do Ultraje em Bauru, nenhum grupo fez tantos shows na cidade como o conjunto liderado por Roger Moreira. Com a apresentação de hoje serão 11 shows desde o início dos anos 80.

Em entrevista concedida ao JC Cultura esta semana, Roger agradeceu a cidade pela preferência e afirmou que o grupo toca melhor ao vivo do que em estúdio. De acordo com Roger, além dos hits do passado, o Ultraje também vai tocar as músicas dos disco mais novos e, principalmente, apresentar ao público as faixas de “Os Invisíveis”, o mais recente CD do grupo, lançado no ano passado.

Formado atualmente por Mingau, Bacalhau e Sérgio Serra, além de Roger, o Ultraje tem um time de ex-integrantes enorme, composto por Leôspa, Maurício Defendi, Edgard Scandurra, Carlo Bartolini, Sérgio Petroni, Flávio Suete e Heraldo Paarmann. O melhor é que, apesar das mudanças de formação e das fases sem grandes sucessos, o grupo não perdeu o mesmo espírito irreverente presente desde a época dos compactos.

Naquele tempo, o Ultraje, assim como o Kid Abelha e os Paralamas do Sucesso (que então cantavam “Óculos” e “Vital e Sua Moto”), era tido como parte da vertente mais passageira e “irresponsável” do rock nacional, o que alguns chamaram de “rock de bermudas”. O tempo provou que a aposta estava errada. O Ultraje está aí: tão bom e divertido quanto antes.

Guest Band

A festa na Cervejaria se completa com o show da Guest Band, grupo nascido em Santa Catarina que lançou há poucas semanas o seu CD de estréia. O quarteto, composto por Léo (vocal, violão e guitarra), Cássio (guitarra solo), Diego (baixo) e Marcos (bateria), jovens músicos com idades entre 18 e 22 anos, vai apresentar as canções do álbum - todas cantadas em inglês - entre elas, “Why?”, atualmente sendo veiculada nas rádios pelo País.

• Serviço

Show do Ultraje a Rigor e da Guest Band. Hoje, a partir das 23h, na Cervejaria dos Monges. Realização: 96FM. Patrocínio: Lorena’s Restaurante e Choperia, J.R. Comunicação Visual, Camisaria Off, Hobby Foto, Flipper Lanches, Unimed Bauru e Nova Schin. Apoio: Jornal da Cidade. Os convites podem ser comprados na 96 FM, Camisaria Off, Flipper Lanches e Cervejaria dos Monges. Avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: (14) 3234-7773 e 3226-2882.

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‘Somos melhores ao vivo’

Em entrevista por e-mail concedida ao JC Cultura no início da semana, o vocalista do Ultraje a Rigor, Roger Moreira, falou sobre a carreira e os shows do grupo em Bauru. Objetivo, o músico evitou comentar as ínumeras trocas de integrantes ao longo dos 22 anos de existência do Ultraje, mas pediu para que os sites do grupo (www.ultraje.com e www.ultraje.blogger.com.br) fossem divulgados. A seguir, os melhores trechos. (GC)

Jornal da Cidade - Como você avalia os mais de 20 anos de carreira do Ultraje, sobrevivendo a tantos altos e baixos do mercado e a tantas mudanças na formação do grupo? Roger - São 22 anos e acho que eu não só atingi meus objetivos como os ultrapassei em muito. Estou satisfeito.

JC - O grupo hoje é melhor do que no início da carreira? É possível apontar as evoluções? Roger - Todas as formações foram boas, e todas tiveram seus pontos melhores e piores, não há como compará-las e, mesmo que houvesse, eu não faria isso.

JC - O público que freqüenta os shows do Ultraje são formados na maioria pela galera que viu a banda nascer nos anos 80 ou houve uma renovação? Roger - Tem de tudo, mas acredito que tenha havido uma renovação com os anos.

JC - O show em Bauru deve fazer uma retrospectiva da carreira ou se basear mais nos últimos CDs? O que você destacaria no show? Roger - Desde que começamos tocamos músicas de todos os nossos discos, apenas acrescentamos algumas novas e tiramos algumas mais antigas. Eu destacaria o show em si, somos melhores ao vivo do que em estúdio.

JC - O Ultraje tem um fã-clube muito forte em Bauru e é a banda nacional que mais vezes se apresentou na cidade. Você tem alguma relação especial com Bauru ou alguma explicação para esse recorde? Roger - Não, foi coincidência apenas, mas ficamos contentes com a predileção da cidade por nossa banda. Não somos nós que escolhemos onde tocar e sim o contrário: vocês já nos escolheram onze vezes, muito obrigado!

JC - Depois de mais de vinte anos na estrada, qual é parte ruim da vida de roqueiro? Roger - As viagens são chatas.

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