Bairros

Desentendimentos são freqüentes

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Desentendimentos são comuns em edifícios residenciais e existem em quase todos eles. As administradoras de condomínios estão acostumadas a tentar solucionar de problemas simples a casos de polícia.

Grande parte dos condomínios de Bauru é gerenciada por administradoras de condomínios. Além de administrar problemas, elas apresentam balancetes aos síndicos e, muitas vezes, fornecem funcionários.

Uma das vantagens apontadas é que o condomínio fica livre de problemas trabalhistas. O síndico pode pedir a troca do funcionário sem qualquer ônus. Nas férias, é a própria empresa que se incumbe de substituir o empregado.

Roberto Fornazari, diretor da empresa Fornazari, que administra condomínios, explica que todas as reclamações devem ser registradas (no livro de ocorrências ou através de carta ao síndico) para que possam ser tomadas providências cabíveis.

Após a reclamação formalizada, o síndico toma providências de acordo com o que estabelece o regulamento interno.

As regras básicas (do horário de uso das áreas comuns, por exemplo), segundo Roberto, geralmente são cumpridas. “O grande problema de adaptação é realmente para as pessoas que nunca moraram em coletividade. O difícil é a mudança de comportamento. A pessoa tem que ser muito mais cuidadosa do que era antes”, diz.

O diretor explica que os hábitos que os moradores tinham nas casas são levados aos apartamentos. Animais domésticos, que provocam polêmica nos prédios, são um exemplo.

“As pessoas trazem comportamentos do habitat em que elas viviam antes. Não tenha dúvida. Isso é notório e gera problemas. Elas estavam acostumadas a ter liberdade de correr, pular dentro de casa e não poderão mais ter isso”, expõe.

Bom senso é necessário para não invadir a liberdade dos demais. Os cuidados vão desde evitar salto alto à noite para não incomodar o vizinho de baixo a observar horários para fazer reparos em casa. “Ninguém pode sair furando paredes tarde da noite. É preciso ter mais cuidado após às 22h. O cuidado estende-se aos filhos e nem sempre é possível contê-los”, observa.

Segundo Fornazari, as regras devem ser cumpridas desde a entrada no condomínio - é necessário autorização de mudança em muitos deles, com horário estabelecido.

Aprendizado

Maria Berro, administradora da Consiste, empresa que gerencia condomínios, pensa que seria adequado um curso de comportamento para todas as pessoas que mudam-se para edifícios residenciais.

“A maioria das pessoas que mora em prédios (em Bauru) já morou em casa antes porque os prédios são recentes. Os regulamentos estabelecem as normas, mas dificilmente as pessoas cumprem todas elas”, observa.

Maria explica que as regras são estabelecidas no início do funcionamento do condomínio, após a entrega das chaves, quando os proprietários reúnem-se para aprovar o regulamento interno. A administradora geralmente oferece modelos e cada condomínio faz as alterações que julgar necessárias.

O síndico é a pessoa que administra internamente, é o mediador e o responsável jurídico pelo condomínio. É ele que, além de outras tarefas, deve estar atento à conservação e limpeza das áreas comuns.

“Quando há reclamação, o síndico é obrigado a tomar uma atitude. A pessoa recebe advertência e pode ser multada caso não mude seu comportamento”, destaca a administradora.

Muitas vezes, a empresa gerenciadora do residencial tem problemas também com o próprio síndico. Caso ele cometa um erro grave, pode ser destituído mediante aprovação de ao menos 50% dos moradores. “Isso é raro porque, normalmente, as pessoas são omissas”, alfineta Maria.

Ela conta que trabalhou com um síndico que queria construir cobertura apenas sobre as garagens dos moradores que estavam em dia com a taxa de condomínio. A empresa o orientou a cobrir todas as garagens, mas ele contrariou a recomendação.

“Tem síndico que não quer seguir muito as normas. Nós estamos aqui para dizer a ele o que é certo e o que é errado”, comenta.

Os desentendimentos são comuns e mais freqüentes quanto maior for a quantidade de apartamentos do prédio. “Problemas de comportamento temos principalmente nos apartamentos mais populares. A construção deles é menos espessa que a de outros prédios. Você é ouvido por seus vizinhos e aí começam os problemas”, destaca Maria.

Ela reforça a afirmação dos síndicos entrevistados pelo JC dizendo que a queixa mais comum refere-se a barulhos. “Você não pode a qualquer hora que você cismar bater bife na sua pia porque vai acordar o bloco inteiro”, orienta a administradora.

Ela cita, ainda, abusos nas áreas comuns dos residenciais. Os carrinhos de supermercados não são estacionados no local correto. São deixados em jardins, halls de entrada e outros cantos do condomínio.

As desobediências às regras não param por aí. Moradores andam sem camisa nos elevadores, crianças arrancam plantas do jardim e riscam paredes das áreas de lazer. Nas vagas das garagens, um não respeita o espaço do outro.

A solução é distribuir advertências. “Para toda multa tem que ter antes uma advertência”, frisa Maria.

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