Bairros

Condôminos voltam às casas

Thaís Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Nem sempre a adaptação aos condomínios é apenas uma questão de tempo. Muita gente não se acostuma à vida em comunidade e acaba voltando a morar em casa.

É o caso de Dalcimare Aparecida Pavani, que mora na Vila Souto. Ela viveu durante 12 anos em apartamento. “Na questão de segurança, apartamento é muito melhor. Eu podia sair, viajar, sem ter aquela preocupação. Mas não tinha privacidade”, ressalta.

O filho foi um dos principais motivadores da decisão da mudança. Os vizinhos do apartamento reclamavam dos barulhos das brincadeiras de criança. “Na casa, ele tem espaço para brincar, tem direito de fazer barulho”, diz.

Dalcimare também tinha problemas ao receber visitas. “Se passava da hora, eles reclamavam. Eles não gostavam de muita gente estranha no prédio. Eu não tinha liberdade”, lembra.

Além disso, a moradora sentia falta de um animal doméstico. “Nem que fosse um passarinho. Hoje, tenho um canário e um cachorro em casa. São coisas que me fazem muito bem”, destaca.

Outro incômodo para Dalcimare era a falta de proximidade com os vizinhos do edifício em que morava. “Mesmo sendo vizinho de parede, era um contato mais frio. Não tinha aquela conversa de amigo”, conta.

Para completar, em um dos apartamentos vizinhos morava um grupo de estudantes que faziam barulho após às 22h. O volume da música era alto, além das conversas e festinhas. “Na época da Copa, eles acompanhavam e festejavam os jogos durante a madrugada. Eu e meu marido tínhamos que acordar cedo no dia seguinte”, diz.

Maria Célia Vidal também desistiu do apartamento em que morou durante quatro anos. Agora, ela vive em uma casa na Vila Universitária.

“Em casa, é possível fazer reunião de amigos com mais liberdade. Mesmo o salão de festas só pode ser usado até meia-noite. Para usar a churrasqueira, temos que marcar com antecedência”, reclama.

Para a universitária Ana Cristina Milhor, moradora do Jardim Higienópolis, nada se compara à liberdade da casa. A experiência dela em apartamento durou pouco mais de três anos.

No apartamento, a música e a conversa com amigos incomodavam os vizinhos, que ligavam pedindo silêncio. “Eles eram muito chatos, viviam reclamando”, conta.

Depois de tantas queixas, Ana recebeu uma multa e teve de desembolsar R$ 130,00. “Estudantes eram mal vistos no condomínio. Agora, em casa, é outro clima. Ninguém liga se meu som está alto”, observa.

Outro caso é o de Maristela Ferreira Moraes, que mora em uma casa na Vila Aviação. Ela prefere a residência unifamiliar pelo espaço e pela possibilidade de ter jardim, entre outras coisas. “Apartamento restringe muito seu dia-a-dia.”

Depois de quase quatro anos morando em prédio, Maristela afirma que dificilmente voltaria a morar em condomínio. â€œÉ uma arte viver em condomínio. Você tem que ter bastante paciência e saber que todo mundo tem suas falhas”, avalia.

Ela valoriza a presença de animais em sua casa, como pássaros e cachorros. “Em casa, eu tenho tudo isso. Sinto liberdade muito maior. A vida em casa é muito melhor, apesar dos problemas com segurança”, enfatiza.

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