Bairros

Barulho é campeão de reclamação

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

O problema é conhecido e mesmo assim ainda é o campeão de reclamações em muitos condomínios de Bauru. Acostumados à liberdade que as casas proporcionam, moradores esquecem que existem vizinhos que agora moram muito mais perto.

“Para morar em apartamento, é preciso saber morar. É um em cima do outro”, diz Silvio Odair Remolli, síndico de um condomínio localizado no Jardim Panorama.

Silvio mora em apartamento há 20 anos e é síndico há cinco. Ele afirma que a adaptação para quem sai de uma casa é difícil. “Principalmente se for um casal que já vem com filhos. É totalmente diferente”, salienta.

É necessário ter paciência já que barulho excessivo é o problema mais freqüente no edifício em que mora. “Dificulta porque apartamento tem uma norma. Tem o estatuto do prédio que precisa ser obedecido”, expõe.

Rosa Lúcia Leme Abicair, síndica de um condomínio do Jardim Estoril, também aponta o barulho como grande campeão de reclamações. “Algumas pessoas entendem que podem ouvir música alta a qualquer hora”, diz.

Rosa prefere conversar e tenta evitar as multas por desrespeito às regras do condomínio. A multa é aplicada apenas em última instância, quando a situação é considerada “insustentável”.

â€œÉ preciso tentar conciliar as duas partes. Isso é complicado. Tem que ter jogo de cintura”, conta.

Já ouve casos em que foi preciso contatar a imobiliária e o proprietário do apartamento para falar sobre inquilinos causadores de problemas. “Acontece de pedirmos para a pessoa sair do condomínio, mas é muito difícil”, afirma.

“Algumas pessoas vêm morar em condomínio acreditando que podem tudo. Para conviver pacificamente, cada um tem que respeitar a liberdade do outro. Isso reduz a sua liberdade em algumas coisas”, acrescenta a síndica.

Rosa conhece pessoas que ficaram pouco tempo em apartamento porque não se adaptaram ao condomínio. “Elas não conseguem conviver com as regras e acabam se afastando”, observa. Ela, que já morou em casa, prefere o apartamento devido à segurança que proporciona.

Outros problemas

O comerciante Ivan Sérgio Peraçoli, síndico de um edifício do Jardim América, ressalta o problema dos cachorros - proibidos pelo regulamento do condomínio.

“Causa transtornos. Por exemplo, você entra no elevador vestido para ir a uma festa e de repente se depara com o cachorro. Como falar para ele não fazer xixi no elevador? O problema sério é a desobediência das pessoas”, enfatiza.

Outra infração é colocar objetos na varanda, tais como colchões ou roupas estendidas. Quando isso acontece, Ivan alerta os moradores e geralmente o fato não se repete.

Na piscina, os condôminos queriam levar amigos. A solução encontrada foi alterar o regulamento interno e permitir dois convidados por apartamento.

As reclamações referentes a barulho também existem onde Ivan mora. “A gente tem que mostrar para o condômino que ele tem que cuidar do que é dele para não virar uma bagunça”, explica.

Outro hábito de condôminos, segundo Ivan, é deixar pneus e outros objetos na vaga da garagem destinada a veículos. Um deles instalou até um armário de aço para guardar utensílios na garagem.

Para Ivan, quem se comporta bem em casa não tem problemas quando passa a morar em edifício. “O problema do apartamento é que você é tolhido em alguns horários e coisas do dia-a-dia. Em compensação, não precisa se preocupar com limpeza de piscina, jardim etc”, avalia.

Outra vantagem apontada por ele é a liberdade de deixar as crianças no condomínio com tranqüilidade.

No edifício do qual o professor Güerino Ninin é síndico, no Centro, o problema de animais domésticos está sendo contornado com a tolerância dos demais moradores.

Como nem todos respeitam as regras, o acordo estabelece que os animais desçam no colo do proprietário até chegar à rua. “Tem sido tolerado por um senso comum. O animal não pode passear em área comum, não pode passear no elevador”, explica.

Güerino também recebe reclamações sobre pessoas que fumam no elevador ou atiram objetos pela janela. “Tudo depende de conversar. O síndico tem de ser um pouco conciliador em todas essas questões”, pondera.

Ele explica que dá trabalho ser síndico. “Continuamente, existem questões de rotina a serem solucionadas”, destaca.

Síndico é chato?

Quem nunca ouviu alguém dizendo que o síndico do prédio em que mora é uma pessoa chata? Na opinião de alguns síndicos, essa característica faz parte da função do administrador de condomínio.

“Você tem que ser chato”, diz Ivan Sérgio Peraçoli. Ele argumenta que o problema decorre do fato de ter de colocar ordem no condomínio e cobrar ações de algumas pessoas.

“O problema é que você tem que falar não. E tem que falar muito não. Tem que chamar a atenção de algumas pessoas. E, às vezes, pessoas mais velhas que você ou que se consideram mais importantes que você”, explica.

Ivan diz que já foi chamado de chato por condôminos que depois de alguns meses pediram desculpas pelo comportamento. “Não é fácil, mas, na maioria das vezes, o pessoal elogia bastante o nosso trabalho”, frisa.

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