O problema é conhecido e mesmo assim ainda é o campeão de reclamações em muitos condomínios de Bauru. Acostumados à liberdade que as casas proporcionam, moradores esquecem que existem vizinhos que agora moram muito mais perto.
“Para morar em apartamento, é preciso saber morar. É um em cima do outroâ€, diz Silvio Odair Remolli, síndico de um condomínio localizado no Jardim Panorama.
Silvio mora em apartamento há 20 anos e é síndico há cinco. Ele afirma que a adaptação para quem sai de uma casa é difícil. “Principalmente se for um casal que já vem com filhos. É totalmente diferenteâ€, salienta.
É necessário ter paciência já que barulho excessivo é o problema mais freqüente no edifício em que mora. “Dificulta porque apartamento tem uma norma. Tem o estatuto do prédio que precisa ser obedecidoâ€, expõe.
Rosa Lúcia Leme Abicair, síndica de um condomínio do Jardim Estoril, também aponta o barulho como grande campeão de reclamações. “Algumas pessoas entendem que podem ouvir música alta a qualquer horaâ€, diz.
Rosa prefere conversar e tenta evitar as multas por desrespeito às regras do condomínio. A multa é aplicada apenas em última instância, quando a situação é considerada “insustentávelâ€.
â€œÉ preciso tentar conciliar as duas partes. Isso é complicado. Tem que ter jogo de cinturaâ€, conta.
Já ouve casos em que foi preciso contatar a imobiliária e o proprietário do apartamento para falar sobre inquilinos causadores de problemas. “Acontece de pedirmos para a pessoa sair do condomínio, mas é muito difícilâ€, afirma.
“Algumas pessoas vêm morar em condomínio acreditando que podem tudo. Para conviver pacificamente, cada um tem que respeitar a liberdade do outro. Isso reduz a sua liberdade em algumas coisasâ€, acrescenta a síndica.
Rosa conhece pessoas que ficaram pouco tempo em apartamento porque não se adaptaram ao condomínio. “Elas não conseguem conviver com as regras e acabam se afastandoâ€, observa. Ela, que já morou em casa, prefere o apartamento devido à segurança que proporciona.
Outros problemas
O comerciante Ivan Sérgio Peraçoli, síndico de um edifício do Jardim América, ressalta o problema dos cachorros - proibidos pelo regulamento do condomínio.
“Causa transtornos. Por exemplo, você entra no elevador vestido para ir a uma festa e de repente se depara com o cachorro. Como falar para ele não fazer xixi no elevador? O problema sério é a desobediência das pessoasâ€, enfatiza.
Outra infração é colocar objetos na varanda, tais como colchões ou roupas estendidas. Quando isso acontece, Ivan alerta os moradores e geralmente o fato não se repete.
Na piscina, os condôminos queriam levar amigos. A solução encontrada foi alterar o regulamento interno e permitir dois convidados por apartamento.
As reclamações referentes a barulho também existem onde Ivan mora. “A gente tem que mostrar para o condômino que ele tem que cuidar do que é dele para não virar uma bagunçaâ€, explica.
Outro hábito de condôminos, segundo Ivan, é deixar pneus e outros objetos na vaga da garagem destinada a veículos. Um deles instalou até um armário de aço para guardar utensílios na garagem.
Para Ivan, quem se comporta bem em casa não tem problemas quando passa a morar em edifício. “O problema do apartamento é que você é tolhido em alguns horários e coisas do dia-a-dia. Em compensação, não precisa se preocupar com limpeza de piscina, jardim etcâ€, avalia.
Outra vantagem apontada por ele é a liberdade de deixar as crianças no condomínio com tranqüilidade.
No edifício do qual o professor Güerino Ninin é síndico, no Centro, o problema de animais domésticos está sendo contornado com a tolerância dos demais moradores.
Como nem todos respeitam as regras, o acordo estabelece que os animais desçam no colo do proprietário até chegar à rua. “Tem sido tolerado por um senso comum. O animal não pode passear em área comum, não pode passear no elevadorâ€, explica.
Güerino também recebe reclamações sobre pessoas que fumam no elevador ou atiram objetos pela janela. “Tudo depende de conversar. O síndico tem de ser um pouco conciliador em todas essas questõesâ€, pondera.
Ele explica que dá trabalho ser síndico. “Continuamente, existem questões de rotina a serem solucionadasâ€, destaca.
Síndico é chato?
Quem nunca ouviu alguém dizendo que o síndico do prédio em que mora é uma pessoa chata? Na opinião de alguns síndicos, essa característica faz parte da função do administrador de condomínio.
“Você tem que ser chatoâ€, diz Ivan Sérgio Peraçoli. Ele argumenta que o problema decorre do fato de ter de colocar ordem no condomínio e cobrar ações de algumas pessoas.
“O problema é que você tem que falar não. E tem que falar muito não. Tem que chamar a atenção de algumas pessoas. E, às vezes, pessoas mais velhas que você ou que se consideram mais importantes que vocêâ€, explica.
Ivan diz que já foi chamado de chato por condôminos que depois de alguns meses pediram desculpas pelo comportamento. “Não é fácil, mas, na maioria das vezes, o pessoal elogia bastante o nosso trabalhoâ€, frisa.