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Finados


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Finados, do latim finire, que significa acabar, morrer, é dia de visita aos cemitérios, quando percorrendo os túmulos, vamos recordando parentes, amigos, estabelecendo uma espécie de comunhão. Vamos recordando seu rosto, sua história e reforçando a crença de que, um dia, iremos nos juntar a eles na eternidade. Hoje, sem dúvida, muita gente, cheia de saudade e dor, chora e reza pelos seus falecidos.

Este dia nos convida também a fazer uma reflexão sobre a coisa mais certa na vida do homem que é a morte, embora nem sempre a compreendamos e aceitemos.

Só mais tarde, através de muita oração e lágrimas, é que chegamos a compreender e aceitar o sentido da vida e da morte. Às vezes, é necessário que a morte passe tão perto, enchendo nosso coração de dor, de indignação, para que compreendamos que, aqui na terra, todos somos inquilinos temporários de uma moradia que não nos pertence. Não somos donos de nada e vamos de mão vazias, quando a campainha de cima toca, avisando que é hora de subir.

O Dia de Finados nos possibilita pararmos por um instante que seja, para tentar buscar respostas às perguntas: Quem de nós escapará da morte? Quem não está submetido à condição humana? Quem somos nós diante da morte? Para ela não há diferença entre ricos e pobres, crianças e idosos, ateus e crentes, famosos ou não. O destino será o mesmo para todos. A morte tem a força de apagar todas as aparências. Não se compra a morte com nenhuma fortuna ou riqueza. Finados é lição de transitoriedade da nossa vida próspera que se ostenta até mesmo nos túmulos. Isso em nada beneficia os mortos. Nós, cristãos, entretanto, devemos continuar imunes às exterioridades. A sociedade, infelizmente, vê a morte como um negócio. Há muito tempo, Finados deixou de ser um momento de reverência aos entes queridos que se foram, dando lugar ao comércio das flores nos cemitérios. É bonito levar flores, e só!

Quando criança, uma cerimônia, a da imposição das cinzas, na quarta-feira após o Carnaval, sempre me impressionou, porque o sacerdote, ao fazer o sinal da cruz com a cinza em minha testa, dizia essas palavras, na época, em latim: “Memento, homo, qui est pulvis et in pulverem reverteris”. Adulto, fiquei sabendo o significado e o valor dessas profundas e verdadeiras palavras: “Lembra-te, homem, de que és pó e em pó hás de te tornar”.

Finados, enfim, denuncia esse mundo de aparência, fundado no poder das riquezas e anuncia a pequena chama da fé na ressurreição que é capaz de iluminar a noite de dor e sofrimento pela perda de nossos mortos.

A saudade dos mortos, neste dia, é um sentimento bastante forte que só terminará quando a providência divina nos colocar frente a frente. Aí, diremos, com certeza, é o fim de uma saudade e o começo de uma outra daqueles que deixamos aqui na terra e que tanto amamos. Saudade não tem solução. É um círculo vicioso. Tem começo, mas jamais terá fim. Façamos deste dia, um tempo de reflexão e oração. (O autor, Gino Crês, é professor)

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