Em pouco menos de um ano, o grupo Terra Nossa já montou e desmontou as barracas quatro vezes. Segundo o coordenador Celso Costa, o primeiro acampamento foi montado na área do Horto Florestal de Aymorés. “Ficamos por cerca de 18 dias. A arrendatária Votorantin Celulose Papel (VCP) conseguiu a reintegração de posse.â€
A segunda área ocupada ficava muito próxima, mas pertencia à Prefeitura de Pederneiras. “Entramos no dia 28 de janeiro e desocupamos pacificamente no dia 27 de abril, ocupando outra área próxima, de propriedade particular. Os três proprietários conseguiram a reintegração de posse e desocupamos no dia 5 de junho.â€
Sem muitas alternativas, o grupo foi para uma estrada vicinal que liga o bairro Chapadão à entidade Esquadrão da Vida. “Era embaixo do linhão da Companhia Paulista de Força e Luz. Era perigoso e, por isso, fomos obrigados a mudar novamente.â€
Atualmente, o grupo está ocupando uma área próxima de uma propriedade particular. “Sabemos que o dono já pediu a reintegração de posse, que está em andamento. Aguardamos uma posição do governo, porque todas as áreas que ocupamos são griladas e pertencem ao Estado. Temos uma reunião agendada para este mês com o Instituto de Terras do São Paulo (Itesp).â€
A decisão pode mudar o rumo da situação, esperam os integrantes do grupo. “Se for positiva, como estamos esperando, podemos ser assentados, mesmo porque não há proprietários, já que as terras são griladas. Se negativa, a decisão obrigará nova mudança.â€
As famílias acampadas em Presidente Alves aguardam com ansiedade a vistoria do Incra para transformar a área em mais um assentamento, diz o diretor Irineu Xavier de Oliveira. “Essa é uma área do assentamento Palmares,†explica.
Os acampados de Guarantã ainda estão no começo das negociações e acreditam que podem ficar na estrada vicinal. “Não estamos em propriedade particular. Os fazendeiros da região já estão com segurança temendo uma invasão.â€
No acampamento da fazenda Olho DÁgua, em Itapuí, o monta e desmonta barracas já ocorreu uma vez, explica João Fróis, um dos coordenadores. “Os arrendatários conseguiram reintegração de posse em setembro. Ficamos fora da propriedade por dois dias. Conseguimos ganhar uma liminar porque a fazenda está abandonada há 22 anos.â€
A saída proporcionou muitos dissabores para os acampados. Eles alegam que tiveram grandes perdas materiais. “A polícia lacrou as barracas e nossos pertences foram para a prefeitura. Até hoje não conseguimos liberar as nossas coisasâ€, conta.
Pela versão dos acampados, nos dois anos em que ocupam a área, muita coisa já tinha sido produzida e criada. “Eles mandaram matar os animais. Quando voltamos tinha porco morto com tiro. As casas de alvenaria tinham sido derrubadas por tratores. Estamos reconstruindo os barracos.â€