O movimento registrado nos cemitérios de Bauru ontem, Dia de Finados, foi grande. A expectativa é de que aproximadamente 100 mil pessoas visitaram túmulos de familiares e amigos durante o final de semana. Do lado de fora, os comerciantes aproveitaram a data para negociar seus produtos, em especial flores e velas.
No Cemitério da Saudade, o maior do município, onde estão sepultadas cerca de 52 mil pessoas, as visitas começaram logo pela manhã. â€œÉ uma data para lembrar e orar pelos entes mais queridosâ€, afirma Vera de Lourdes Mistroni, que depositou flores no túmulo dos pais e da irmã.
Para o representante comercial Jesuelaudo Sanches Gasparini, que acendeu velas no jazigo da família, o Dia de Finados também serve para refletir. “Nesta data, a lembrança dessas pessoas e de tudo o que elas fizeram fica mais forteâ€, declara.
Procura
A fé também levou dezenas de pessoas a procurarem pelos jazigos em que estão enterrados personagens famosos da história de Bauru, a quem são atribuídas graças alcançadas ao longo dos anos.
Um dos exemplos é o túmulo de Mãe Preta, que embora tenha uma história pouco conhecida, desperta a curiosidade de muita gente. â€œÉ um local muito visitado, que tem um significado de fé. Às vezes, a gente pede algo e alcança, mas tem que ter fé, senão não resolveâ€, diz a dona de casa Josefa dos Santos.
No jazigo de Maria Nunes, que morreu em 1917, e da filha dela, a prostituta Josefina Nunes, morta em 1922, a quantidade de velas impressiona. “O que me atrai são as graças que as pessoas afirmam ter alcançado. Todo ano eu venho até aquiâ€, declara a consultora Rosimeire dos Sanches Abdala.
A história conta que o padre Francisco Wan der Maas se recusou a encomendar o corpo de Josefina quando ela morreu, o que teria causado polêmica em Bauru.
O motorista Homero Guedes Gasparini preferiu visitar o túmulo número um do Cemitério da Saudade, onde está sepultado o tenente-coronel João Henrique Dix, que se suicidou em 1908. Ele era proprietário do Hotel Dix e doou boa parte do terreno que abriga o cemitério. “O túmulo deveria estar melhor conservado, até pela sua importância históricaâ€, diz.
Já no Cemitério Jardim Redentor, um dos jazigos mais procurados é o do padre Inácio de Oliveira, morto em 1994. No local, podem ser encontradas oito placas de agradecimento por graças recebidas. Vasos de flores também foram deixados por fiéis.
Na sala da administração da necrópole, que tem cerca de 27 mil pessoas sepultadas, muitas pessoas buscaram ajuda para localizar os túmulos dos parentes.
Além dos cemitérios da Saudade e Jardim Redentor, Bauru conta ainda com outras três necrópoles municipais (São Benedito, Cristo Rei e Tibiriçá), que abrigam os restos mortais de cerca de 21 mil pessoas. No cemitério particular Jardim do Ypê e no do Instituto Lauro de Souza Lima, já desativado, estão enterradas outras 9 mil.
Comércio
O movimento intenso de pessoas nos cemitérios também animou os comerciantes. “As vendas estão sendo boasâ€, afirma a florista Kátia Regina Reis. Para ela, o faturamento deve ficar próximo ao registrado em 2002.
O florista Adailton Lázaro Pinheiro, que atua na área há 12 anos, concorda. “Está relativamente igual ao ano passado, talvez até um pouco melhor. Finados é o melhor dia para quem trabalha com flores, seguido pelo Dia das Mãesâ€, declara.
Vertical
O cemitério vertical de Bauru, que será inaugurado até o final do ano, esteve aberto à visitação durante o dia de ontem. Segundo o supervisor de vendas Patrício Riquelme Júnior, cerca de 60 contratos foram assinados. “Esse número com certeza irá aumentar depois desse final de semana, porque muita gente ficou de retornarâ€, diz.
O supervisor de vendas afirma que as dúvidas mais freqüentes dos visitantes são em relação aos serviços oferecidos pela administração do cemitério vertical. “As pessoas querem saber se o plano inclui o funeral e nós explicamos a elas que simâ€, afirma.
A necrópole oferecerá, na primeira fase, 414 vagas, mas o projeto completo prevê dois blocos com sete andares e um total de 5.796 unidades. Cada gaveta, conhecida como lóculo, pode abrigar os restos mortais de até seis pessoas, desde que respeitado um intervalo de três anos entre os sepultamentos.