Política

Bueno é preso acusado de extorsão

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-vereador Roberto Bueno (PTB) foi preso ontem denunciado por crime de extorsão. O mandado de prisão foi expedido pelo juiz da 2ª Vara Criminal, Jaime Ferreira Menino, a pedido da Promotoria Criminal. Junto com sua ex-mulher, Solange Diniz Santana, ele é acusado de extorquir a servidora da Câmara Municipal de Bauru, Solange Maria Fichio, que seria obrigada a ceder mais de 50% de seu salário mensal sob ameaça de perder o emprego.

Sem apresentar resistência, Bueno foi detido em casa por volta das 18h30 por uma equipe do Tático-4. Depois de passar por exame de corpo delito na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) - procedimento acompanhado pelo delegado JJ Cardia -, o ex-vereador foi encaminhado, sob escolta, à Cadeia Pública de Avaí, onde permanecerá em cela especial (direito garantido para quem tem curso superior).

Ainda nesta semana, ele será transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP), onde permanecerá à disposição da Justiça. Sua ex-mulher, advogada da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), continua presa na Cadeia Pública de Agudos. Por deter diploma de curso superior, ela também teve direito ao benefício de cela especial.

Acordo

As prisões de Solange Diniz e de Roberto Bueno estão relacionadas à denúncia da funcionária do Poder Legislativo, Solange Maria Fichio, contratada em cargo de confiança no início de 2001, por indicação do próprio ex-vereador.

Ela acusa a advogada de extorqui-la mensalmente, há mais de dois anos, em cumprimento a um acordo feito com Bueno para pagamento de pensão alimentícia.

Em depoimento à delegada-assistente da Delegacia Seccional de Bauru, Cláudia Garms Armani, a assessora da Câmara contou que era obrigada a entregar o dinheiro sob ameaça de perder o emprego.

A servidora relatou que só conseguiu o emprego porque Bueno condicionou a sua contratação ao fornecimento de todo o adiantamento de seu salário que ocorre no dia 10 de cada mês. Esse repasse ao ex-vereador era feito através de Solange (ex-mulher de Bueno).

As investigações da denúncia de extorsão começaram há dois meses, quando a denúncia chegou ao promotor criminal João Henrique Ferreira.

O flagrante a Solange Diniz se iniciou com gravações de áudio e vídeo em setembro passado e terminou com sua prisão no último dia 20. Uma câmera de vídeo, com áudio sintonizado através de um microfone fixado na assessora parlamentar, registrou a entrega de envelope à advogada com cerca de R$ 800,00.

Se condenados por crime de extorsão, Solange Diniz e Roberto Bueno poderão cumprir pena que varia de quatro a dez anos de prisão. Mas a reclusão poderá aumentar se levada em consideração que a acusação do crime foi reprisada mensalmente nos últimos dois anos. O ex-vereador Roberto Bueno preferiu não se manifestar sobre o assunto.

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