Cultura

Rachel de Queiroz é enterrada no Rio

Da Redação (com agências Folha e Estado)
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O corpo da primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL), Rachel de Queiroz, foi enterrado ontem de manhã, no jazigo da família, no cemitério São João Batista, na zona sul do Rio. Autora de “O Quinze”, Queiroz morreu anteontem, aos 92 anos.

Hoje, depois de encerrada a Sessão de Saudade, no salão nobre da Academia, as candidaturas à cadeira número 5, que era ocupada pela escritora cearense, são oficializadas. O jornalista e publicitário Mauro Salles e o jurista cearense Paulo Bonavides demonstraram interesse em concorrer à vaga.

Os escritores Fernando Sabino e Rubem Fonseca foram citados ontem por acadêmicos como nomes à altura da qualidade literária de Queiroz e que reuniriam condições para substituí-la, mas ambos não externaram até agora o desejo de entrar para a ABL.

Durante o velório na ABL, os acadêmicos lembraram que Queiroz estava sendo enterrada no Dia Nacional da Cultura, mesma data em que, há 26 anos, ela foi eleita para a Academia.

Atualmente, três cadeiras estão vagas. No dia 6 de dezembro encerram-se as inscrições para a cadeira número 5. A eleição será no dia 11 de março de 2004. No dia 18 de dezembro, haverá a eleição para a vaga do jornalista Roberto Marinho e, no dia 4 de março, para a vaga de Marcos Almir Madeira.

Presenças e ausências

Cerca de 150 pessoas acompanharam a cerimônia fúnebre ontem, entre elas 80 representantes do Corpo de Fuzileiros Navais, do qual Queiroz era madrinha por ter escrito textos elogiosos à corporação. Um deles, transformado em lema dos fuzileiros, foi lido antes de o caixão baixar à sepultura: “Quando se houverem acabado os soldados do mundo - quando reinar a paz absoluta -, que fiquem pelo menos os fuzileiros, como exemplo de tudo de belo e fascinante que eles foram.”

O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, compareceu à missa ocorrida na ABL e ao enterro. O governador do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), foi ao velório anteontem na ABL e à missa na manhã de ontem.

Apesar das duas presenças da área política, a escritora e acadêmica Nélida Piñon reclamou da ausência de autoridades da administração federal e do governo do Rio no enterro de Rachel. “Onde está o representante do presidente? Não é possível que nós estejamos enterrando uma mulher da importância de Rachel de Queiroz sem aquelas autoridades que nos representam. E é uma tristeza que eu revelo neste momento”, afirmou Nélida Piñon.

Ela reclamou da indiferença do País ante a perda da escritora cearense. “É uma tristeza pela perda de Rachel e é uma tristeza que nem todos os brasileiros entendem o que significa para nós, para o Brasil de hoje e de amanhã, a perda dessa mulher”, disse Nélida.

O secretário de Desenvolvimento das Artes Audiovisuais, Orlando Senna, compareceu ao enterro como representante do ministro da Cultura, Gilberto Gil, que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagem à África.

Além disso, a governadora do Rio, Rosinha Matheus, e a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, enviaram mensagens para a família e flores.

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