No primeiro dia de exames práticos para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) realizados no Sambódromo, ontem, dos 84 candidatos que fizeram a prova de microônibus e moto, 51,1% foram reprovados, índice acima da média. Além disso, a abstenção foi alta: dos 106 inscritos, 18,9% não se apresentaram para realizar o teste. Hoje, mais 145 candidatos devem fazer a prova prática de carro.
Segundo o diretor em exercício da 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), Dernival Mauro Inforzato, estes índices são considerados altos, em comparação com a média de outros exames. “Normalmente, o índice de reprovação fica entre 30% e 40%”, diz.
Ele concorda que a mudança do local do exame prático do Centro de Treinamento (CT) da Associação das Auto e Moto-Escolas para o Sambódromo pode ter sido a causa do aumento.
Segundo Inforzato, as auto-escolas se responsabilizaram por avisar seus alunos sobre a retomada dos exames, depois de 15 dias interrompidos. Ainda assim, 22 inscritos não se apresentaram. “Um grande número de candidatos faltou, talvez com medo do novo percurso, do novo local. Alguns dos inscritos vieram (ao Sambódromo) e desistiram de fazer a prova. É comum ter uma ou duas faltas, mas não nessa quantidade”, afirma Inforzato.
Das 76 pessoas que realizaram a prova de moto, apenas 35 obtiveram a aprovação. A principal queixa dos candidatos era quanto ao desconhecimento do percurso no local.
Dalva Tobo foi reprovada porque deixou o motor de sua moto afogar durante o trajeto. “Não é que seja mais difícil, mas a gente não conhecia o lugar, não treinamos aqui, e isso prejudicou. Todos estavam acostumados com o CT. Aqui, a pista tem um certo declive e o asfalto é muito irregular”, acusa.
Macetes
No exame prático de moto, os candidatos são orientados a não acelerar nem frear o veículo, realizando o percurso quase que totalmente em aceleração baixa. A diferença da pista do Sambódromo para o do CT deixou os candidatos nervosos. Os reprovados não conseguiram aplicar os “macetes” ensinados pelos instrutores e deixaram suas motos afogarem, como Dalva, ou tiveram de pôr os pés no chão, o que é proibido durante a prova.
“Tem que frear, a pista tem um declive. Minha moto morreu depois, porque tem que acelerar para subir de novo. No CT, era tudo plano, não precisava fazer isso”, relata Dalva.
Sua irmã, Renata Tobo, teve mais sorte e, mesmo nervosa, conseguiu completar a prova perfeitamente e foi aprovada. Ainda assim, ela tem queixas quanto ao Sambódromo. “O asfalto é muito irregular, cheio de pedras soltas. Muitas motos escorregaram”, conta.
Inforzato afirma que o asfalto que os candidatos encontram no trajeto é o mesmo das ruas de Bauru. “Aqui, o que ele vai encontrar, é igual ao das vias públicas da cidade. É a mudança que gera medo e preocupação”, declara.
Os candidatos reprovados podem realizar o exame novamente depois de 21 dias. As auto-escolas cobram, em média, R$ 90,00 pela nova prova, referentes ao uso do veículo (R$ 20,00) e à remarcação, no valor de R$ 70,00, em que já estaria incluída a nova taxa de inscrição do candidato no exame (R$ 31,60).
Nas próximas semanas, segundo Inforzato, novas inscrições serão abertas para aqueles que estão se preparando para obter a CNH. As provas serão aplicadas toda quinta-feira, para moto e microônibus, e na sexta para carros.
A intenção da 5ª Ciretran é normalizar as provas, depois de duas semanas sem realiza-los, devido à polêmica que teve início com a denúncia de que a Associação das Auto e Moto Escolas estaria cobrando taxa de R$ 50,00 para a liberação de exames.
A denúncia foi apresentada por proprietários de auto-escolas. O dinheiro seria destinado para o pagamento de salários de dez funcionários cedidos à Ciretran e manutenção do CT na associação, onde os alunos realizam aulas e, até então, faziam as provas. Os funcionários foram dispensados na semana retrasada, pois não tinham qualquer vinculação com a autorização para o exame.
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