Imaginoso e por isso sonhador, isto e/ou aquilo, o homem durante séculos admirou o oceano à distância, desde os lugares que lhe permitiam imaginar as maravilhas que, sabia-o muito bem, mantinham-se ocultas pelos gananciosos mananciais. Contudo, um dia a imaginação não se estabilizaria e viria a impulsionar os varões rumo ao fundo das fabulosas áreas aquáticas. Mas não seriam suficientes tais anseios e, incentivados pelas mitologias grega e romana, que também imaginavam os oceanos habitados por elementos de formas as mais curiosas, começariam os homens a tentar descobrir os segredos dos bosques submarinos. Dos obstáculos que se lhes antepuseram nem se precisa lembrar, alguns trágicos, regiamente pagos com a própria vida. Seria desnecessário lembrar, também, que o destemor do homem não se abalaria com as dificuldades. Continuaria, eles, então, infiltrando-se corajosamente nas verdes águas, ainda que há poucos metros da superfície. Viria, porém, auxiliá-lo na tarefa, a tecnologia dos novos tempos, a qual colocou em suas mãos instrumentos altamente aperfeiçoados que lhes permitiriam ir a todas as profundidades, com integral segurança física fosse com objetivos de trabalho ou de esporte. Desde então está o homem desvendando todos os mistérios das ondas, vendo com os próprios olhos as algas verdes, rosas e marrons e os jardins aquáticos parecidos com os que a terra mostra à gente, em torno dos quais vivem nadando milhares de peixes, moluscos, crustáceos, estrelas-do-mar, assim como o peixe-besta, o cavalo-marinho, a moréia, torpedo (raia elétrica), peixe-são pedro de coloração prateada e muitos outros, que dali tiram seus alimentos. Nada é tão rico como os mares, muitos dos quais até agasalham vidas de uma preciosidade invulgar, de ricos e pobres, não se devendo esquecer aquelas que lhes foram despachadas pelo Titanic... Se algum dia dizimarem-se as algas, acabar-se-ão também os formosos peixitos, além da beleza dos mares. Estes não podem, portanto, desaparecer, paradoxalmente, dos confins da terra, ainda que nas suas distâncias de mais de 100 metros de profundidade. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.