Bairros

Contrapartida da sociedade é vital

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Como condição para que os programas sociais realmente alcancem o seu objetivo de forma macro, a sociedade tem de dar a sua contrapartida. Uma das cobranças das entidades de assistência social é o retorno e a colaboração da população e, principalmente, do empresariado, com relação às atividades desenvolvidas por elas.

O Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips), que tem 33 anos de atuação na cidade, atende cerca de 400 meninos e meninas carentes com idade entre 12 e 17 anos e 11 meses, promovendo a sua inserção social por meio do desenvolvimento de atividades profissionalizantes e de cidadania.

No entanto, a entidade conta com a colaboração do setor empresarial de Bauru para que o projeto tenha êxito. “É muito importante para a continuidade do projeto a colocação desses jovens no mercado de trabalho. Por isso, sempre requisitamos a sensibilidade dos empresários nesse sentido”, salienta a secretária da entidade, Vânia Lamônica Garcia.

Ela destaca que é fundamental que a sociedade descubra que fica muito mais barato custear a educação de um adolescente do que criar projetos de recuperação de menores infratores. “Quanto mais a população se voltar para esse pensamento, mais vai notar a diminuição dos problemas com crianças e jovens que cometem crimes”, destaca.

Além de capacitação profissional, o Cips, fundado em 27/8/1970, tem o objetivo de promover a socialização do jovem, oferecendo esporte, cultura e lazer.

Entre os cursos disponibilizados pela entidade estão o de silk screen, minigráfica, malharia e marcenaria. No próximo ano, os adolescentes terão à disposição os de eletricista residencial, secretariado, telemarketing e auxiliar de almoxarifado.

A assistente social do Cips, Leonice Clemente Amorim de Jesus, explica que, até o ano passado, a entidade atendia apenas meninos. A situação mudou neste ano, já que a diretoria entendeu que as garotas também necessitam de capacitação e inserção no mercado de trabalho. “Existem muitos casos de meninas que se envolvem com a criminalidade, com prostituição, por falta de um apoio mais contundente na sua formação”, ressalta.

Expectativas

Luidgi Agnno Carlos tem 13 anos de idade e, há um ano e oito meses, freqüenta o Cips. Morador do Núcleo Mary Dota, ele atualmente está fazendo o curso de malharia oferecido pela entidade e tem esperança de entrar logo no mercado de trabalho. “Daqui três meses, eu completo 14 anos. Não vejo a hora de poder trabalhar”, destaca.

Ele gostaria de arrumar um emprego como aprendiz em alguma empresa da cidade. Com o salário, pretende ajudar a mãe no sustento da casa. “As aulas estão sendo muito importantes para mim, pois estou aprendendo várias coisas aqui”, salienta.

Para ele, as palestras de educação moral e cívica estão rendendo bastante. “Tem muita coisa que eu não sabia e estou aprendendo aqui no Cips”, conta.

Garcia explica que a entidade resolveu investir também em aulas de teologia. “Não como doutrina religiosa, mas para ensinar os adolescentes a ter valores que há muito se perdeu na sociedade”, destaca, lembrando que a desestruturação das famílias acabou criando uma geração que desconhece o que é o amor ao próximo.

Cristian Pereira de Sousa, 15 anos, cursa a 8.ª série em uma escola pública da cidade e, à tarde, freqüenta, há seis meses, o Cips. “Eu estou tendo aula de marcenaria e espero logo conseguir um emprego para ajudar a minha família”, destaca.

Leonice explica que, para conseguir uma vaga no Cips, o adolescente precisa, necessariamente, estar estudando. “Eles praticam as atividades nas horas contrárias a das aulas”, diz.

As inscrições podem ser feitas diretamente na entidade ou através de encaminhamento feito por centros de atenção à pessoa, como os Núcleos de Apoio Sócio Familiar (NAFs). “O importante é que o jovem comprove que a renda da família é baixa”, frisa.

Na área de iniciação profissional do adolescente, Bauru conta ainda com a Legião Feminina e a Legião Mirim, além de outros projetos socioeducativos, como o Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração - Criança 2000, a Casa da Esperança e os Pequenos Obreiros de Curuçá.

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