Tribuna do Leitor

Pelé, ídolo que não se esquece


| Tempo de leitura: 3 min

No último 23 de outubro, Pelé completou 63 anos de idade. O tempo passou e ele ainda é lembrado no meio esportivo do mundo todo. Como homenagem aos seus 63 anos, gostaria de contar alguma coisa quando da sua vivência aqui em Bauru, no nosso meio. Muitos dizem que nos tempos atuais ele não teria se consagrado da maneira como foi, pois entendem que, naquela época, jogar futebol era como “amarrar cachorro com lingüiça”. Perdoem-me tais entendidos, mas as coisas não eram bem assim, não.

Desde sua infância, Pelé enfrentou aqueles que, por alguns meios queriam barrá-lo com um futebol mais viril. Lembro-me muito bem disso nos últimos dois anos em que jogamos juntos no Radium F.C., como, também, na época em que ele jogava no “Baquinho” e em outros clubes. Como era difícil para os adversários marcarem-no! Pelé era muito requisitado para jogar. Então, ele acabou jogando em diversos times em Bauru e muitos tiveram o privilégio de jogar a seu lado. Em 1955, tivemos o primeiro campeonato de futebol de salão. Numa das reuniões costumeiras que fazíamos à noite, na esquina do bar do sr. Oscar, tivemos a idéia de inscrever o Radium F.C. no campeonato. Para esclarecer, o Radium era o time do bairro onde morávamos. Para nós, o campeonato representava um desafio, já que o futebol de quadra ainda estava no começo. Com o Pelé no nosso time, entretanto, tudo ficou mais fácil. E não deu outra! Fomos campeões invictos. Os jogos eram realizados nas dependências da Rádio PRG8, atual TV Tem. No ano seguinte, inscrevemos o Radium F.C. no campeonato juvenil promovido pela Liga Bauruense de Futebol. Novamente, fomos campeões invictos em três turnos. Por onde jogávamos, carregávamos uma enorme torcida. O Radium F.C. tinha muitos bons de bola, além do Pelé, que poderiam ter sido grandes craques brasileiros. O Paçoca era um deles. Malabarista da bola, aplicava “chapéu” no adversário com a bola parada no chão. O Vitor, malandro da bola, driblava o adversário sem tocá-lo. Infelizmente, os dois não mais estão em nosso meio. Que Deus os tenha! Tinha também o Mineiro. Exímio cabeceador, era centro-avante com presença na área. O Edir era o dono dos belos dribles. Com um físico avantajado, rompia qualquer defesa.

Estou falando dos “bons de bola” do meu bairro, mas sei que Bauru tinha vários outros craques em potencial. Volto a lembrar de Pelé e de sua capacidade milagrosa em mexer com a bola. Suas jogadas nos deixavam realmente impressionados. Seus dribles eram mágicos e, seus gols, estonteantes. Mais tarde, veríamos o maravilhar do mundo inteiro. Aquele dom divino foi se aprimorando, cada vez mais em nossas brincadeiras nos sábados à tarde, no “vai quem quer”. Era um campo de terra localizado atrás do Noroeste, onde hoje é o Sesi. Media aproximadamente 60x30 metros. Lá, fazíamos nossas peladas, descalços. Jogavam quantos estivessem presentes. Eram 15 ou 20, de cada lado. Ali, Pelé estava sempre presente, fazendo suas costumeiras diabruras com a bola. Acredito que tudo isso contribuiu muito para seu crescimento profissional. Suas grandes jogadas em um espaço pequeno que o consagrou. O Brasil e o mundo esportivo estão esperando um novo Pelé? Será que ele um dia vai aparecer? (Nero Bergamini - RG 6.295.156)

Comentários

Comentários