Em respeito à carta publicada na última segunda-feira sobre as festas de repúblicas em Bauru (visto que sou formado em rádio e televisão e estou me formando este ano - espero - em jornalismo e, portant,o penso ser um bom conhecedor dessas festas) desejo fazer os seguintes comentários:
1) Acho que o sr. Hamilton tem todo o direito de reclamar do barulho das festas ou de qualquer barulho que o impeça de dormir.
2) Acho que se os pais deixarem de sustentar seus filhos em outras cidades para que eles façam faculdade, muita gente deixará de ganhar. Em Bauru, por exemplo, é o dinheiro dos “papais” que sustenta muita imobiliária, muito bar, muito supermercado, muita loja de roupa, muita sorveteria e inclusive floriculturas (pois os jovens mandam flores para suas amadas, penso eu).
3) Todas as cidades do porte de Bauru têm suas universidades e convivem com o problema das festas de república, pois trata-se de manifestação inerente à existência de tais instituições. A festa é uma liturgia, uma espécie de rito pagão presente em toda e qualquer sociedade, estudada amplamente pelos mais famosos antropólogos.
4) Penso que mandar todo mundo para uma “chácara” é uma solução inócua, para não dizer outra coisa, pois só a cidade de Bauru perderia se todo o mercado de consumo das universidades desaparecesse de repente, como por encanto, e fosse parar numa “chácara”.
5) Gostaria que o sr. Hamilton revisasse o conceito que tem sobre a Ordem dos Músicos, pois todos sabem que essa é uma instituição muito criticada em todo o país, inclusive por grandes artistas da música popular (vocês acham que o Vinícius de Moraes tinha carteirinha da ordem?), principalmente porque poucos sabem até hoje a natureza de sua serventia.
6) Posso garantir ao Sr. Hamilton que a supra citada instituição não tem o caráter de fiscalizar a “qualidade da nossa música popular”, pois aqueles músicos de churrascaria que fingem tocar as músicas sertanejas, de axé e pagode, em sintetizadores pré-programados têm a carteirinha da ordem e são com certeza os maiores inimigos da cultura musical brasileira.
7) Essas bandas adolescentes, barulhentas e repetitivas não representam o público universitário em sua maioria. Estive no último festival universitário de Ilha Solteira ( foi o XXI, promovido pela Unesp) e assisti a um dos melhores espetáculos de criatividade da minha vida. A música vencedora, da Unesp de Assis, tocada apenas por um pianista e um cantor performático (“Carta em Punho”), faria até o sr. Hamilton chorar de emoção.
8) Espero profundamente que os possíveis filhos e netos do sr. Hamilton possam viver o cotidiano de um bom Campus universitário, ambiente de elevação cultural, discussão de idéias e fomento de novas práticas dentro da sociedade. E espero que possam usufruir de algumas das festas universitárias com seus colegas, pois é um momento em que a criatividade (é sim) levada muito a sério.
Obs: com todo respeito ao sr. Hamilton, que tem todo o direito de reclamar e pleitear o que quiser dentro de nossa sociedade: eu não estava na tal festa da rua Saint Martin. Obrigado!
Luís Paulo C. Domingues - RG 17.115.765