O professor Isaías Daibém e o advogado Oswaldo Penna Júnior pretendem criar em Bauru o Museu Gráfico, Jornalístico, da Imagem e do Som “Oswaldo Penna”, em homenagem ao advogado e jornalista falecido no mês passado em Bauru.
A iniciativa vem sendo totalmente desenvolvida por eles, enquanto não recebem apoio de alguma entidade. Os idealizadores afirmam que o acervo seria uma maneira de enaltecer a profissão dos gráficos, jornalistas e profissionais da comunicação, assim como preservar equipamentos, documentos, objetos e depoimentos que resgatem a memória destas profissões e das realizações de Penna.
“Bauru é um dos maiores parques gráficos da América Latina. Com todo esse potencial, ninguém nunca teve a iniciativa de tornar perene o mundo dos nossos profissionais”, diz Penna Júnior.
O museu será instalado, inicialmente, em um imóvel da família Penna. “As peças que foram doadas ainda estão com os proprietários. Vamos começar a organizar estas doações. Posteriormente, nos empenharemos para conseguir um local adequado, para também poder abrigar um acervo mais rico”, explica Penna Júnior.
Segundo Daibém, eles já têm prometida a doação de uma impressoa linotipo a gás, uma prensa, impressora manual, diversos tipos e um cavalete de tipos, usado para a produção de carimbos.
“Procuramos mais doações de familiares de radialistas, jornalistas, gráficos. Pode ser equipamentos antigos, acervo de matérias, de som, de imagens”, requisita Penna Júnior.
Realizações
Oswaldo Penna nasceu em Araçatuba, em 1919, e era amante do cinema brasileiro, do esporte e da cultura. Aos 16 anos, criou o jornal “O Barulho”, em sua cidade-natal, e em 1945, fundou a revista Cadência, em Bauru, publicada até hoje. Também foi responsável pelo lançamento de diversas publicações, entre elas, o Anuário da Noroeste, O Debate, O Debate Esportivo, Revista dos Jogos Noroestinos, Jornal do Cinema e Jornal de Agudos.
Na década de 60, Penna foi o organizador do Festival de Cinema de Bauru. Foi ainda responsável por diversos eventos esportivos, não só no Interior de São Paulo, como os Jogos Noroestinos, Jogos Matogrossenses, jogos infanto-juvenis, travessias de Bauru e Araçatuba à nado, Corrida do Trabalhador, concursos nacionais de acordeon e piano, entre outros.
Penna fundou mais de 30 Sindicatos de Trabalhadores Rurais na região, durante a década de 60, e atuava em mais de 60 comarcas como advogado trabalhista.
Durante a ditadura militar, ele foi perseguido e sofreu diversas prisões. “Meu pai participou de diversos congressos de juventude na Europa e na União Soviética. Ele sempre foi socialista, nunca escondeu isto de ninguém”, comenta Penna Júnior.
Em 2000, segundo Penna Júnior, seu pai recebeu em Cuba, das mãos do presidente Fidel Castro, o diploma “Reconocimiento”, por sua participação contra o “bloqueio genocida e a guerra econômica”, como diz o documento.