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Bafômetro fiscalizará trânsito noturno

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 5 min

A Polícia Militar (PM) de Bauru irá intensificar o combate à imprudência no trânsito do município. Um bafômetro, doado por uma empresa privada, será utilizado para fiscalizar os motoristas que dirigem sob efeito de álcool, especialmente aos finais de semana à noite, quando aumenta a incidência dos acidentes causados pela união entre bebida e direção.

Segundo o comandante da 4ª Companhia da PM, capitão Nelson Garcia Filho, alguns pontos serão priorizados no início das operações, como as avenidas Getúlio Vargas, no trecho próximo ao prédio da Polícia Federal, e Marcos de Paula Raphael, no Núcelo Mary Dota. “Agora é o momento de estarmos intensificando as ações, porque com o calor começa a se vender mais cerveja”, justifica.

Ele afirma que os acidentes mais graves provocados por motoristas alcoolizados ocorrem, geralmente, durante a madrugada. “Você tem poucos veículos circulando nesse horário e a pessoa acha que pode aumentar a velocidade e que ninguém irá cruzar a frente dela. Às vezes, ela vem de uma festa em que ingeriu bebida alcoólica e nenhum colega pede para assumir o volante”, alerta.

Teste

O tenente Jorge Luís Dias, comandante da Base de Trânsito da Polícia Militar (PM), explica que, para não ser autuado, o motorista que fizer o teste do bafômetro não pode apresentar índice maior do que 0,3 miligrama de álcool por litro de ar, o que equivale, dependendo do organismo, a dois copos de cerveja ou cálices de vinho.

Ele lembra que as pessoas que testam positivo também são encaminhadas à delegacia. “O bafômetro é mais uma prova material. O delegado pode solicitar a realização do exame de sangue e, na recusa, pedir a presença do médico legista, que vai constatar o estado ou não de embriaguez”, diz.

Segundo o tenente, há alguns sinais que são decisivos no momento de analisar a necessidade da realização do teste do bafômetro. “Geralmente, avaliamos o cidadão pelo equilíbrio, voz, comportamento, odor etílico e a própria prova testemunhal de outras pessoas”, revela.

Nos casos de infração, a multa prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é R$ 957,70, além de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). “Se o motorista estiver gerando perigo de dano na via pública, também pode ser autuado criminalmente”, relata Dias.

Orientação

Para o capitão Nelson Garcia Filho, a falta de orientação aos mais jovens, principais envolvidos em acidentes de trânsito noturnos, ajuda a agravar a situação. “Há pais que procuram a gente porque querem dar uma moto para o filho e nos perguntam o que achamos. O que eu falo é que se o filho for consciente, tudo bem, mas eu, por exemplo, vou pensar muito antes de presentear o meu”, diz.

Ele defende, ainda, a aprovação do projeto de lei que está tramitando pela Câmara Municipal e que prevê o fechamento de bares após as 23h. “Para nós, a lei seca é importante, porque temos vários acidentes em que o sujeito insiste em dirigir mesmo sabendo que não está em condições”, declara.

Caso seja aprovado, porém, o projeto garantirá apenas a proibição de funcionamento dos estabelecimentos cuja atividade principal é a venda de bebidas alcoólicas no balcão. Pizzarias e restaurantes, por exemplo, não seriam atingidos pela medida.

Garcia Filho descarta aumentar o efetivo de patrulhamento noturno. “Quanto mais policiais você tem na rua, melhor, mas se você tira parte deles durante o dia também causa problemas. Outro dia tiramos de uma escola e o pessoal reclamou, dizendo que teria atropelamento e morreria gente por lá”, recorda.

Perfil de atendimento muda durante a noite

O tenente Marcos Ricardo Poloniato, do Corpo de Bombeiros de Bauru, afirma que há uma mudança no perfil das vítimas atendidas pela unidade de resgate da corporação após as 22h. “Durante o dia, registramos uma média de 12 ocorrências, a maioria de pessoas que se sentiram mal. Com a aproximação da madrugada, são quatro ou cinco, todas vítimas de trauma”, revela.

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal da Saúde, João Sérgio Carneiro, confirma a grande incidência de pacientes vítimas de acidentes de trânsito noturnos que chegam ao Pronto-Socorro (PS) Central. “A maioria apresenta traumatismo crânio encefálico ou óbito”, relata.

Dados do setor de estatística do PS revelam que, desde o início de outubro, 588 pessoas que se envolveram em acidentes de trânsito passaram pelo local, seja durante o dia ou à noite. Duas vítimas morreram no próprio Pronto-Socorro e outras 20 após serem transferidas para hospitais.

O tenente Poloniato diz que é possível indicar quem são os envolvidos na maioria dos acidentes. “São jovens na faixa etária de 18 a 25 anos que pegam o veículo, fazem uso de bebida alcoólica e acabam se acidentando nas nossas pistas”, diz.

Além do uso de bebidas alcoólicas, ele lembra que os acidentes de trânsito noturnos também podem ser causados por outros tipos de imprudência, como dirigir falando ao celular e não usar cinto de segurança ou capacete.

Ele cita como exemplo um acidente ocorrido recentemente e que envolveu cinco pessoas. “Eram dois casais e uma criança. Eles saíram de Agudos para vir a uma pizzaria em Bauru e no retorno, por volta da 1h30 da madrugada, se acidentaram. Ninguém estava usando cinto de segurança”, recorda.

O tenente diz que a chegada do calor traz outro agravante que contribui para o aumento do número de ocorrências durante as madrugadas. “Esse é um período de chuvas. A pessoa está acostumada a dirigir sempre no seco e tem que entender que a pista escorregadia oferece mais riscos”, argumenta.

Poloniato lembra, ainda, que mexer em um acidentado pode agravar as fraturas que ele tenha sofrido. “Em toda ocorrência envolvendo trauma, o Corpo de Bombeiros solicita que as pessoas não movimentem ou manipulem a vítima”, alerta.

Segundo ele, o tempo entre a comunicação de um acidente e a chegada dos bombeiros ao local diminuiu com a implantação do serviço de Moto Operacional de Bombeiro (MOB). “Ela vai até o local e faz a estabilização e manipulação da vítima, cabendo à unidade de resgate fazer o transporte”, explica.

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