Regional

Lençóis: 20% da produção ao Exterior

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A trajetória da família Oliveira ilustra bem o ditado de que “dono de frigorífico é o açougueiro que deu certo”. O patriarca da família foi açougueiro e os quatro filhos também, na década de 70. A atividade deu tão certo que, 20 anos depois, eles instalaram um frigorífico, o Frigol, em Lençóis Paulista (43 quilômetros a Sudeste de Bauru).

Segundo o diretor comercial, Durval Gonzaga de Oliveira, de distribuidor de carne para a região, em 10 anos, ele passou a ser exportador de carnes e hoje ocupa o 15.º lugar no ranking brasileiro. “Inicialmente, o frigorífico comercializava carnes com as cidades da região. O maior mercado era Bauru, seguido de Marília e Jaú. Hoje, de 15 a 20% da nossa produção atende o mercado internacional.”

A expansão foi inevitável, segundo o diretor. “Expandiu para a região de Avaré, Piracicaba e depois para a Grande São Paulo e para todo Brasil. O forte continua sendo o Estado de São Paulo.”

A busca pela qualidade da carne exigiu investimentos maciços. “Contratamos veterinário e profissionais para melhorar a qualidade da carne e conquistar a inspeção do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e com isso fazer parte da lista geral de exportação.” Participando da lista, o Frigol iniciou sua trajetória no mercado internacional.

De Lençóis Paulista sai parte das carnes exportadas para a Arábia Saudita, Egito, Ilhas do Cabo Verde, Hong Kong, Peru, Angola e países da África do Sul.

Exportar para a Arábia Saudita é um ótimo negócio para os frigoríficos. O país consome o dianteiro do boi, ou seja, as carnes consideradas como sendo de segunda classe pelo brasileiro. As carnes, que no País têm um custo menor, ganham valor ao viajar pelo mundo.

As carnes nobres, localizadas no traseiro do boi, são consumidas no mercado interno, segundo o diretor do frigorífico. “O Egito importa algumas carnes do traseiro, mas é o mercado interno o maior consumidor. O mercado interno é mais exigente.”

Qualidade

Para o diretor do Frigol, a exportação de carnes foi impulsionada pela qualidade do produto e pelo preço. “A qualidade da carne brasileira foi propagada pelo mundo. É saudável e livre de aditivos. Hoje, ela é bem aceita no mercado internacional.”

Os maiores frigoríficos do País e também os maiores exportadores abriram as portas para a exportação, investindo em tecnologia que aperfeiçoaram o produto e baixaram os custos. “O território brasileiro é muito grande e o boi engorda no pasto. Com a ajuda da tecnologia, o custo baixou e a carne brasileira é mais barata do que a da Argentina.”

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