Pelo menos 26 entidades assistenciais ligadas a centros espíritas na região serão beneficiadas neste ano pelos recursos obtidos durante a 16.ª Feiramor, realizada neste final de semana em Bauru. Os organizadores não sabem informar qual o valor arrecadado, mas garantem que os recursos são fundamentais para as despesas de fim de ano, que aumentam em função do pagamento de 13.º salário para funcionários.
“Não é muito, mas ajuda bemâ€, garante a coordenadora da feira, Neli Del Nery Prado. Segundo ela, não existe uma estimativa de arrecadação porque o controle é feito individualmente por cada grupo envolvido. “Este ano, temos 44 entidades participantes. Cada uma traz a sua doaçãoâ€, salienta.
Ela explica que o evento é organizado pela União da Sociedades Espíritas (USE). Para participar, basta ser uma entidade assistencial ligada à filosofia kardecista. “Todo o trabalho é voluntário. São pessoas que trabalham o ano inteiro para trazer produtos para a feira. A Feiramor é o ápice de um trabalho de muitos mesesâ€, comenta.
O grupo que dá apoio às presidiárias de Cabrália Paulista, por exemplo, ensina as detentas a fazer crochê e tapetes. Outro centro espírita que atua num hospital psiquiátrico usa o artesanato como terapia ocupacional para os pacientes, e assim por diante. No mês de novembro, todo o material confeccionado é encaminhado para a Feiramor e o lucro com as vendas retorna às entidades.
“Além disso, há muitas doações feitas por pessoas que freqüentam os centros espíritas. O sorvete deste ano, por exemplo, é oferecido por um membro do centro que tem uma sorveteria. E não existe comissão. Todo o valor arrecadado é revertido para as ações assistenciaisâ€, reforça Neli.
Segundo os organizadores, cerca de 5 mil pessoas passaram pela feira só no primeiro dia de vendas. Além dos mais diversos artesanatos, também havia doces, salgados, refrigerantes, sucos e a Seção Serelepe - um espaço dedicado exclusivamente às crianças.
Freqüentadora da Feiramor há cerca de quatro anos, a dona de casa Geiza Silva, 34 anos, diz que sempre leva alguma coisa para casa. “E estou aproveitando para comprar umas lembrancinhas para o final de ano. Os preços estão bons e, ao mesmo tempo, eu ajudo as creches que eles ajudamâ€, comemora.
“Conheci a feira no ano passado, a convite de uma amiga. Gostei e vou ficar assíduaâ€, comenta a assistente social Margô Ferreira Alves, 40 anos. Segundo ela, além do artesanato, é admirável também a confraternização, a interação entre as entidades. “E minha filha, que vai viajar, está comprando presentes para todo mundoâ€, afirma.
Destaque à parte é conferido à decoração, também preparada pelos voluntários. Neste ano, um dos destaques foi um coro montado com papel reciclável. Outro foi o presépio, também feito com material reciclável. “Optamos por fazer os personagens sem rosto, no intuito de salientar que o Natal é a comemoração pela vinda de Jesusâ€, explica Neli.
Também foi montada uma árvore de Natal feita com caixas de presentes. Cada uma delas acompanhada por um sentimento, entre eles, paz, solidariedade, dedicação, amor e fraternidade. No centro da feira havia uma grande caixa de presentes de onde saíam corações e estrelas.
“Queremos que a Feiramor seja o máximo em doação. Que as pessoas confeccionem o artesanato não para vender, mas por amor àqueles que serão beneficiados, como obras de arte. Porque Natal, para nós, não é uma festa material. É uma festa para Jesusâ€, encerra.