A reforma da ponte Ayrton Senna, que liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial, deve ser concluída e liberada ao trânsito apenas no próximo ano, prevê o secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte. A primeira das três etapas das obras de recuperação está pronta, mas a segunda ainda está em licitação e a terceira será feita pela própria prefeitura. Usuários da ponte, que esperavam a liberação até o final do ano, reclamam de demora nas obras.
A Ayrton Senna está interditada desde janeiro deste ano por causa de rachaduras surgidas em sua estrutura. A prefeitura entrou na Justiça para apurar a responsabilidade do problema e só obteve autorização para iniciar as obras de recuperação em agosto. “Prometeram entregar a ponte em dezembo e a gente está esperando, mas está tudo parado”, comenta Luiz Carlos Fatia, que mora no Jardim Mendonça.
Ele acredita que em função do longo período de interdição, a população até deixou de reclamar, mas continua sendo prejudicada. “Eu agora uso mais a bicicleta. De carro, é preciso dar a volta pela rodovia Marechal Rondon”, diz.
Gilso Roberto de Souza, outro morador do bairro que trabalha no Centro da cidade, também espera a liberação da ponte com ansiedade. “Achei que ia ficar pronta até dezembro, como disseram. Era muito mais fácil ir para o trabalho pela avenida Rodrigues Alves. Com a ponte interditada, gasto mais combustível”, frisa.
Adriana Fernandes Oliveira, que mora no Núcleo Mary Dota e trabalha no Distrito Industrial, critica a demora na recuperação da ponte. “Eu tenho que andar vários quilômetros a mais para trabalhar. Não sou só eu que estou nesta situação. Tem casos piores, de borracharia, posto de gasolina próximos à ponte que praticamente ficaram sem clientes depois da interdição”, afirma.
A primeira fase da recuperação da ponte Ayrton Senna foi feita por uma empresa terceirizada e custou à prefeitura R$ 212 mil. A obra consistiu na construção de estacas de cimento armado, que servirão de base para a ponte, explica Duarte.
A segunda fase é a construção de blocos para ligar as estacas aos pilares da ponte. “Estamos na fase final da licitação, mas uma das empresas concorrentes pediu a impugnação da documentação de uma outra. O parecer da comissão de licitação sairá no Diário Oficial de sábado. Se não houver mais impugnações, logo sairá a vencedora, que deve gastar até 60 dias para executar o serviço”, diz.
A segunda fase está orçada em pouco mais de R$ 100 mil. Terminada essa etapa, a prefeitura deve gastar mais dez dias para fazer o aterramento das cabeceiras da ponte. Portanto, a recuperação deve ser concluída em no mínimo dois meses.
O laudo pericial solicitado pela Justiça para apurar as causas das rachaduras surgidas na estrutura da ponte Ayrton Senna apontou dois erros: o primeiro, considerado mais grave, do projeto que já é falecido e o segundo, que não teria sido significativo para o surgimento das rachaduras, é na construção das estacas.
A ponte, que custou cerca de R$ 250 mil, foi entregue em setembro de 2000, véspera da eleição que reelegeu Nilson Costa (PTB) prefeito de Bauru.