Tribuna do Leitor

Desenvolvimento sustentado


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Quando participamos do Fórum Legislativo de Desenvolvimento Sustentado, promovido pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, na ITE-Bauru, propusemos a criação e a instalação da Faculdade de Medicina de Bauru, vinculada, obrigatoriamente, à USP ou à Unesp. Assim, uma vez que os drs. Carlos A. Monte Gobbo e José Henrique de O. Godoy, em “Desenvolvimento sim, mas com responsabilidade”, nesta tribuna, em 13/11/2003, fazem uma série de considerações contrárias à proposta, gostaríamos de apresentar algumas ponderações, a fim de aprofundar a discussão a respeito deste tema polêmico:

1 - Os resultados das pesquisas realizadas pelas entidades médicas não deveriam simplesmente ser utilizados para coibir a criação de novas faculdades de medicina, mas, principalmente, intensificar a fiscalização e exigir investimentos e melhoria da qualidade de ensino das instituições que não apresentem níveis aceitáveis. Ao mesmo tempo, deveriam servir de incentivo à criação de novos cursos de medicina pelas universidades públicas, em especial USP ou Unesp, presentes em Bauru, conforme consta em nossa proposta; com aplicação de recursos necessários para se manter o mesmo padrão das faculdades de medicina de Botucatu e de Ribeirão Preto, por exemplo, em benefício da classe médica.

2 - Na hipótese da concretização de tal empreendimento, poderiam ser aproveitados, a este propósito, a estrutura, os equipamentos, os laboratórios, o pessoal, docentes e pesquisadores, da FOB-USP e Centrinho, que com relativamente pequenos investimentos, reuniria condições para ter um curso de medicina de qualidade inquestionável.

3 - Além disso, o Instituto Lauro de Souza Lima, o HEB e AHB poderiam integrar o projeto, contribuindo de forma significativa para a criação e a implantação da faculdade e, na seqüência, serem elementos importantes na conquista e manutenção da qualidade que tanto desejamos.

4 - A importância da faculdade de medicina em nossa cidade, transcende a qualidade dos profissionais neoformados, a excelência dos serviços prestados à comunidade, o nível das pesquisas desenvolvidas, já que alguns desdobramentos de ordem socioeconômica são irrefutavelmente previsíveis:

a) criação de novos postos de trabalho, com aumento de oferta de empregos; b) expansão da rede hoteleira e de alimentação; c) reflexos positivos na área comercial e de prestação de serviços; d) incremento na construção civil e no mercado imobiliário; e) ampliação da oferta de atendimento médico à comunidade.

Enfim, Bauru precisa, com urgência, de algo significativo que eleve a auto-estima de seu povo. É o momento de o governo estadual reconhecer e participar de forma efetiva e inquestionável desse processo, fazendo retornar à cidade uma parcela do que perdemos no processo de privatização. Isto posto, reiteramos, de forma coerente, racional, equilibrada e responsável nossa proposta de implantação pelas universidades estaduais, USP e Unesp, da Faculdade de Medicina de Bauru.

José Eugenio Chibebe - prof. de Biologia na EE “Christino Cabral” e diretor do CEESUB

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