Apesar de a baixa qualidade de ensino não ser novidade no Brasil, em hipótese alguma poderíamos cogitar a blasfêmia educacional em que nos encontramos. O pior é constatar que o mais recente “E” da educação não se encontra na baixa qualificação dos professores e muito menos na falta de verbas, mas sim no atual “big-bang” universitário. Será que o número indiscriminado e incontrolável de instituições é benevolente para o nível de aprendizado? À primeira vista, poderíamos facilmente nos iludirmos com o assombroso número de vagas criadas, porém a verdade ultrajante é a de que cuidados para que a qualidade de ensino se mantenha elevada não estão sendo tomados. De 2001 a 2003 foram 544 novas instituições no país. O temor que nos consome é de que os jovens estejam sendo obrigados a se sobrepujar a um ensino pífio e degradado. E ainda se não bastasse: o valor das mensalidades continua a crescer estratosfericamente e os estudantes que poderiam pagar por elas ainda estudam em escolas públicas. Tudo se resume a uma constatação: a busca desenfreada pelo capital em nossa selva de pedra não respeita sequer os limites morais. Sistemas de admissão alternativos devem ser estudados para que haja uma maior igualdade social nas faculdades. Até que estas metas sejam cumpridas, continuaremos nos passando cada vez mais por analfabetos conscientes.
André Marega Pinhel - RG 43.499.972-6