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'Onda' tuning ganha adeptos

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Desde que o automóvel é automóvel, sempre houve quem quisesse deixar o carro com aparência e desempenho diferente dos demais. Entretanto, os últimos dois anos marcaram o surgimento no País de uma verdadeira “onda” de personalização dos veículos, também conhecida por tuning (palavra em inglês que significa ajuste fino).

Prova disso é o enorme faturamento do mercado de peças e acessórios no Brasil e no mundo, especialmente nos Estados Unidos, um dos “templos sagrados” do tuning. Tal segmento motivou até mesmo as montadoras a investirem no filão e criarem centenas de itens de personalização para seus modelos.

Como Bauru não foge à regra, não é difícil encontrar “tuneiros” rodando por aí. É o caso do jovem bancário Antônio João de Oliveira e Freitas, 21 anos, um dos que “surfam” há vários anos nesta onda. Desde que adquiriu seu Gol “bolinha”, em 1997, ele não sossegou um instante até deixar seu carro “quase” dos sonhos.

Por isso, o veículo sofreu uma transformação radical na estética e na potência do motor. Externamente, chamam a atenção os spoilers laterais, as rodas esportivas, as palhetas duplas do pára-brisa e os pára-choques envolventes, principalmente o dianteiro, com design em forma de colméia à la “Velozes e Furiosos”.

É justamente este filme, que exibe uma infinidade de carros modificados disputando corridas, que Antônio considera o grande responsável pelo fortalecimento da “onda” tuning no País. “Ela já existe há muito tempo, mas com o filme o pessoal se empolgou”, afirma.

Com tal inspiração, o bancário alterou o interior de seu “Golzinho”. Chamam a atenção o volante esportivo, bancos de couro, tapetes de alumínio e os componentes cromados, como a manopla do câmbio, do freio de mão e as pedaleiras. O carro conta também com DVD, CD player, painel branco e relógios na coluna esquerda do pára-brisa que controlam, entre outras funções, a temperatura do óleo do motor.

Este também não passou batido ao ímpeto “tuneiro” do jovem, que transformou o original de 1600 cilindradas em um aspirado 1.9. E ele não pretende parar. “Quero turbiná-lo”, revela. “Mas pretendo fazer tudo certinho, como manda a lei”, acrescenta Antônio, referindo-se à legislação que disciplina as modificações dos automóveis.

O bancário estima ter gasto cerca de R$ 9 mil em todo processo de personalização do carro. “Trabalho para o automóvel e gasto 100% do que ganho nele. Meus pais até já se conscientizaram disso. Cuido dele como se fosse meu filho”, enfatiza Antônio. “Equipo para curtir o momento e o prazer de estar com ele. Não faço isso pensando em vendê-lo, pois já tive até ofertas”, acrescenta.

Estilos

Outra característica da “onda” tuning são seus diferentes estilos, que variam conforme o gosto do dono do automóvel. O jovem bauruense Carlos Roberto Bondezan Júnior, 19 anos, é mais “tranqüilo”. Para ele, uma roda esportiva e um som potente, com DVD player, bastam para fazer a diferença em seu Golf dourado. “Não preciso de mais nada”, considera.

Já Rodrigo Aranha, 25 anos, dono de um Golf preto aspirado, define-se como um admirador exclusivo de som e, principalmente, do motor. “Desde pequeno, sempre fui fascinado por motores. Meu negócio é ver o que tem lá dentro e curtir o ronco”, frisa.

Adepto de um tuning mais “nervoso”, Eduardo Myashiru, 27 anos, alterou sem dó seu “Corsinha” 1997. Além de equipamento sonoro “da pesada”, seu carro poussi volante e pedaleiras esportivos, tapetes de alumínio, câmbio e freio de mão cromados, insulfilme e pára-choques pintados na cor do automóvel e com igual design “Velozes e Furiosos”. “Investi o valor de outro Corsa aí dentro”, garante.

Para ele, os olhares admirados das pessoas pelo carro já justifica o dinheiro gasto. “Vale até o último parafuso”, ressalta. “A paixão de brasileiro é o automóvel. Para quem gosta, o tuning é um prazer”, complementa Carlos.

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