Tribuna do Leitor

O que fazer?


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Crescem as frustrações em respeito ao comportamento político em nosso município. O agente público assume o cargo apenas para locupletar-se. Cria-se expectativa em torno de reformas e do império da seriedade, a cada eleição. No entanto, as expectativas tendem a completa frustração, o que cria clima de rejeição aos políticos de forma geral. São frases do cotidiano: “Todos são picaretas”, “rouba, mas faz”, o que leva ao descrédito, fazendo com que perpetue o desânimo com o próprio processo democrático. Chega-se a pensar no fechamento do Congresso, afastamento do agente público, renovação político-partidária, e muitos afirmam ser melhor a ditadura, desmentindo avanços e conquistas históricas.

Os desmandos administrativos, o tratamento com o dinheiro público como se fosse particular, as infrações que contra o erário se praticam, a absoluta falta de vergonha que cerca os detentores de mandatos eletivos levam a população ao absoluto descrédito em relação aos políticos.

O eleito, no dia seguinte à sua posse, já busca recursos para sua nova eleição. Não procura honrar o mandato que lhe foi outorgado pelo povo. Não dignifica o seu cargo. Todas as promessas são olvidadas. Os compromissos postergados e, mais das vezes, esquecidos. Já se pensa em como desfrutar o máximo dos cargos que pode ocupar, indicando apaniguados que terão como único objetivo ir à cata de recursos para o que nomeia. A população fica esquecida. Os interesses públicos são colocados em segundo lugar e só aparecem no discurso fácil e nas desculpas à imprensa. Os objetivos firmados como desejos maiores da realização política ficam desdenhados. Nasce o estéril. O vazio. Ficam todos servindo-se à farta mesa dos recursos públicos.

Chega-se a tal grau de descrença que se afirma desacreditar na democracia e dos valores maiores do pluralismo político, da prevalência das liberdades públicas e da busca da igualdade.

Os abusos são de tal sorte que o exercício da cidadania é ignorado e a política, que deve ser a essência da sociedade à procura da realização do bem comum, passa a ser vista como ação de meliantes.

Existem leis e são rigorosas. Resta cumpri-las. Imperfeições devem ser sanadas. Impõe-se, agora, que os aplicadores da lei, tribunais de contas, Ministério Público e Judiciário sejam implacáveis no controle, fiscalização, apuração, acusação e julgamento, respectivamente, dos dados que lhes chegarem às mãos.

Somente desta forma poderemos acreditar em dias melhores, sem ficar ouvindo acusações advindas do passado sem se atentar ao presente.

Que nossa população comece a refletir e que não cometamos os mesmos enganos na próxima eleição!

Que nossos magistrados hajam com rapidez e serenidade, para que tais abusos não tornem a acontecer.

Obs.: somente uma pergunta, isto é, se algum vereador puder me responder: por que rejeitar o pedido de abertura de CP para apuração de irregularidades na compra de feijão se o prefeito tem total e amplo direito a defesa. Não seria melhor para ele e para a Câmara Municipal que tal fato fosse devidamente esclarecido??? (Marcelo Ferreira da Silva - RG 19.669.079-1)

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