Polícia

Bauru-Marília é a via que mais mata

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, que anteontem foi palco de mais dois acidentes e três vítimas fatais, é a via que mais mata na região, na comparação do número de mortes por quilômetro de extensão das estradas de abrangência do 2.º Batalhão de Polícia Rodoviária. Estatísticas apontam que neste ano, até o dia de ontem, 47 pessoas morreram em acidentes nos 339 quilômetros da Bauru-Marília.

A segunda rodovia mais perigosa é a Marechal Rondon, que corta Bauru, que registrou 74 vítimas fatais em seus 602 quilômetros neste ano, segundo a Polícia Rodoviária. A Bauru-Marília, também conhecida como “rodovia da morte”, ainda é a única que não apresentou redução no número de vítimas fatais no último ano, em comparação com outras estradas da região.

No ano passado, 53 pessoas morreram em acidentes na SP-294. Com um mês inteiro para finalizar o ano e na expectativa do aumento do número de veículos nas estradas em virtude das férias e feriados, o oficial de relações públicas do 2.º Batalhão, tenente Fernando Xavier Pinto, afirma que o número de vítimas fatais em 2003 pode ser maior do que em 2002.

“Infelizmente, vamos fechar o ano no mesmo patamar. Pela experiência que temos, achamos que o número de mortes vai ficar em torno de 60”, diz.

Em outras rodovias da região, houve uma notável queda no número de mortes nas estradas. Na Raposo Tavares, por exemplo, houve uma redução de 42,8% na quantidade de vítimas fatais em acidentes. O mesmo não foi constatado na Bauru-Marília, principalmente em razão do estado precário e irregular da pista.

Obras

No trecho entre Bauru e Marília, a rodovia é similar a uma colcha de retalhos, com trechos duplicados, outros com a pista em condições precárias e outros ainda em obras, com desvios e perigos para os motoristas. O tenente Xavier explica que a maioria dos acidentes ocorre principalmente nos locais ainda não duplicados da estrada.

“A SP-294 tem problemas de sinalização, visibilidade, locais com ultrapassagem proibida e em grande parte de sua extensão, ela ainda é pista simples. A estrada é muito sinuosa, com muitas curvas, e o acostamento não é pavimentado. Em determinados trechos, nem há acostamento e a pista de rolamento tem muitos buracos, em virtude do trânsito de veículos pesados”, resume.

Porém, ele observa que a rodovia não deve ser apontada como a única culpada pelos acidentes. “Os problemas existem e o cidadão sabe disto. Se você vai transitar em uma rodovia com problemas de sinalização, sem acostamento, você deve agir de forma cautelosa, diminuir a velocidade, não ultrapassar em locais proibidos”, diz Xavier.

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Vítimas

Anteontem, dois acidentes provocaram a morte de mais três pessoas na Bauru-Marília, justamente no trecho da área urbana de Bauru. No primeiro, dois veículos colidiram de frente, por volta de 5h20.

O motorista Odirlei Marques de Oliveira, foi atendido pela Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu e morreu antes de chegar ao Pronto-Socorro Municipal Central (PSM). Com ele, estava Kátia Aparecida do Nascimento, que até ontem permanecia internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Base (HB), em estado grave.

No outro veículo, estavam o Paulo Eduardo de Matos, que sofreu ferimentos leves, e Nanci Aparecida Souza Mascarim e Norma Souza Mascarim, que continuam internadas no HB, em estado regular.

No segundo acidente, ocorrido por volta de 18h próximo ao núcleo Fortunato Rocha Lima, uma moto e um automóvel Gol colidiram. O motociclista Ernóbio Alcântara da Fonseca e o passageiro do Gol, João Roberto Gonçalves, morreram no local.

A condutora do automóvel, Sônia Regina Furlan Gonçalves permencia internada na UTI do HB em estado grave. Vanessa Martins de Batista, que viajava no banco de trás, teve ferimentos leves.

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