Polícia

PM leva para casa adolescentes na rua

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Levantamento da Polícia Militar (PM) indica que a maioria dos 31 adolescentes abordados nesse final de semana na avenida Getúlio Vargas é do sexo masculino, tem 17 anos e alega ter o consentimento dos pais para freqüentar a via pública em busca de diversão. Os menores, de 10 e 12 anos, foram conduzidos para casa.

Eles foram abordados por 44 policiais que realizaram a ação na tentativa de reduzir os atos de vandalismo na via pública. Foram interrogados jovens que não praticavam atos irregulares e aqueles em atitude suspeita, como próximo a bares e casas noturnas, andando em grupos, portando mochila, além dos aparentemente muito novos.

A medida foi adotada duas semanas após o arrastão que vitimou pelo menos sete pessoas e que resultou em quatro pessoas detidas, sendo uma delas menor de idade.

“A maioria deles diz que está na Getúlio dando um “rolê” (volta). Dos 31 qualificados, três são do sexo feminino e 12 têm 17 anos”, explica o comandante da 1.ª Companhia da PM, capitão Benedito Roberto Meira, que acrescentou outras três qualificações à relação de 28 nomes mencionada em matéria publicada ontem pelo JC.

Para o capitão, a redução da maioridade não é alternativa mais adequada para reverter a situação que, na opinião dele, é decorrente do despreparo e desatenção dos pais. O descumprimento dos deveres dos pais, com ou sem intenção, é passível de pena com aplicação de multa, conforme prevê o artigo 249 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Já o artigo 22 do estatuto diz que é dever dos pais o sustento, guarda e educação dos filhos.

Porém, durante a blitz desse final de semana, Meira conduziu para casa um menor de 12 anos em situação de abandono. Quando o comandante chegou à residência do menino, no Jardim Chapadão, os pais estavam dormindo. Questionada antes de ver o filho na viatura, a mãe disse ao capitão que o garoto estava participando de uma festa de aniversário.

“O rosto dele me chamou a atenção. Não era possível uma criança daquela idade estar sozinha na rua aquela hora. Ele não tinha documento nem dinheiro para voltar. Depois, em casa. a mãe não queria que acordasse o pai para que a criança não apanhasse”, conta Meira.

Ele também auxiliou um outro menor de 16 anos, morador do Jardim Bela Vista, que se envolveu numa briga dentro de uma casa noturna e foi agredido.

“Quebraram os óculos dele e voltamos para recuperar a lente. Ele estava com um grupo de jovens que se dispersou quando a viatura policial se aproximou. Estavam saindo de uma formatura”, relata o capitão. O garoto voltou para casa com ônibus circular da linha noturna (Corujão).

Já a sargento Cristiane Zago Puccinelli também conduziu dois irmãos de 10 e 12 anos para casa. Eles confirmaram aos policiais que os amigos furtam bicicletas na região da Getúlio Vargas. “Os dois estavam com frio e um deles começou a chorar quando chegamos. Dizia que estava nervoso. Só se tranqüilizou na presença da mãe, que o defendeu. O pai disse que nem sabia que os filhos estavam fora de casa”, relata a policial.

Segundo ela, a família parecia bem humilde e carente também de informações referentes à educação dos filhos. Na opinião dela, seria saudável que essas famílias recebem orientação sobre como proceder com crianças e adolescentes.

Compartilha da mesma opinião a assistente social do Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus-Tratos à Infância (Crami), Geisa Araújo de Almeida. “Seria interessante a existência de um curso, porque muitos pais têm dificuldades na educação”, diz.

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