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Pesquisa da USC atesta a realidade

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A pesquisa desenvolvida pela Universidade do Sagrado Coração (USC) apenas atesta as dificuldades enfrentadas diariamente pelo coordenador geral do Conselho Municipal da Pessoa Portadora de Deficiência (Comude), Francisco Takao Kajino. Usuário de cadeira de rodas, ele muitas vezes deixa de comparecer a eventos públicos para não passar por constrangimentos.

Na opinião dele, alguns estabelecimentos comerciais (como bares e restaurantes), de forma velada, dificultam o acesso propositadamente. “Dá a impressão de que, para eles (gerentes), a freqüência dos deficientes afasta outros clientes”, reitera o coordenador do Comude, que já havia alertado para o problema em matéria recente publicada pelo JC.

Enfrenta o mesmo problema Daniel Cavalcante, que há 18 anos se locomove com uma cadeira de rodas. Ele é secretário geral da Associação Esportiva Ouro Verde e diretor de esporte da Associação de Moradores do Jardim Ouro Verde, mas só consegue entrar em apenas um estádio esportivo de Bauru sem precisar do auxílio de terceiros.

“Temos de aproveitar o Dia Internacional e Municipal da Pessoa com Deficiência para cobrar. Não queremos esmola, queremos entrar nos lugares. Deixei de ir ao cinema porque precisam me carregar, mas não sou neném”, protesta.

Críticas da mesma natureza faz Nelson Budoya, que nem se arrisca a andar pelas calçadas de Bauru, que são desniveladas.

“Está faltando muita coisa para facilitar a vida da gente. Há 15 anos (período em usa a cadeira) a coisa era pior. Agora já temos supermercados e bancos (adaptados)”, diz.

Ontem, ele esteve numa instituição bancária e conseguiu realizar todas as operações que precisava. Porém, concorda que os caixas eletrônicos são inacessíveis para uma pessoa mais baixa (ele mede 1,83 metro).

O problema já havia sido apontado ao JC pelo designer Anthony Nicholl, que defendeu a tese de mestrado “Acessibilidade e Usabilidade de Terminais de Transação Telemática no Brasil: um estudo ergonômico” na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP).

“Os arquitetos, planejadores e designer tendem a desenhar o “homem médio”, mas todo mundo é excepcional nas suas capacidades e restrições físicas. Não há ser humano que se encaixe em todas as proporções e capacidades médias”, disse.

Para Nicholl, o que falta ao designer é uma abordagem baseada no princípio de que as pessoas são diferentes.

Alegando essa preocupação, uma loja de departamento instalada no Centro de Bauru realizou todas as adaptações necessárias para facilitar o acesso das pessoas com deficiência.

“Recebemos agradecimentos. (A medida) não deixa de beneficiar o institucional da empresa. Vários outros estabelecimentos do mesmo porte não tomam a iniciativa”, conclui o gerente da loja, Claudemir Basso.

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