Não pretendo polemizar com o professor Isaías, pelo qual tenho grande admiração e respeito. Quero apenas aproveitar as suas críticas e tentar fazer, agora, a “vara” pender para o outro lado. Assim, ao voltar, ela estará num ponto de maior equilíbrio. A rede pública paulista é gigantesca e as falhas existem, mas a omissão não. Nos últimos anos, a Secretaria de Estado de Educação investiu muito e ainda continua investindo, principalmente na formação continuada dos professores e na aquisição de recursos pedagógicos das escolas.
Apesar da pouca divulgação, temos muito a oferecer a nossos professores e alunos. Das 72 escolas jurisdicionadas à Diretoria de Ensino de Bauru, 50 delas, por exemplo, possuem laboratórios bem equipados de informática, grande acervo de softwares educativos e professores que já participaram e ainda participam, com ajuda de custo, de oficinas e cursos na área da informática pedagógica, periodicamente oferecidos pelo Núcleo Regional de Tecnologia Educacional. Em todos os laboratórios dessas escolas estão sendo implantados, atualmente, internet de banda larga através do Programa Intragov. Além disso, em grande parte das escolas que possuem esses modernos recursos tecnológicos, alunos monitores e estagiários de licenciatura auxiliam os professores nas aulas práticas, graças ao trabalho de parceria com a Faculdade de Ciências e Departamento de Computação da Unesp.
E não pára por aí. Pensando em incrementar ainda mais o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação disponíveis, novos projetos sobre inclusão digital, letramento, gestão de multimeios, ampliação do programa de alunos monitores de informática, entre outros, estão sendo finalizados pela Secretaria de Educação para 2004. Somando-se a tudo isso e para termos melhor idéia da real situação de momento, um grande número de professores está participando de vários cursos e programas de capacitação em diversas áreas e componentes curriculares, como: Teia do Saber, em parceria com a USC; Letra e Vida, para professores alfabetizadores; Educação Ambiental, com o Instituto Vidágua e Horto Florestal; JC na Escola, com o Jornal da Cidade, sob responsabilidade do jornalista Purini; Arte no Ciclo I, para professores de Educação Artística; Programa de Alfabetização e Inclusão de Jovens e Adultos, com as universidades locais; Escola da Família, com a participação do Instituto Ayrton Senna e Unesco. Sem falar nas bibliotecas, videotecas, etc, etc.
Tá certo que pecamos em não divulgar um pouco mais todos esses recursos e programas que beneficiam professores, alunos e comunidade em geral, mas isso não significa que não esteja ocorrendo um trabalho sério da Secretaria de Educação, desenvolvido localmente com muita dedicação pela equipe de supervisores e assistentes técnicos pedagógicos da DE Bauru e todos os nossos parceiros. Não entrei no mérito da defasagem salarial, que realmente existe e não podemos negar o fato de que é aspecto de interferência a um trabalho que poderia ser ainda de maior qualidade, mas isso é outro problema, um assunto complexo que não depende exclusivamente do governo estadual, pois é de dependência da macro conjuntura político-econômica que o País, em todos os setores, vivencia.
As restrições financeiras existem, sim, mas dizer que todo o processo pedagógico da rede pública está sucateado e que os professores só têm giz e lousa é um grande equívoco.
Julio Cesar Castilho Razera - RG: 9.656.327 - Mestre em Educação para a Ciência, especialista em informática pedagógica; assistente técnico pedagógico da DE Bauru