A chuva constante que vem caindo sobre Bauru nos últimos dez dias tem aumentado o problema de buracos nas ruas do município, especialmente nas que já apresentavam deficiências e não foram recuperadas a tempo pela prefeitura. Na periferia, vias sem asfalto estão se tornando intransitáveis, dificultando a vida de motoristas e moradores.
Na avenida Rodrigues Alves, as quadras 2 (sentido Vila Falcão-Centro) e 10 (sentido Centro-Vila Falcão) são as que apresentam problemas mais visíveis em termos de asfalto. O motorista que transita por aqueles setores precisa se esforçar para desviar de buracos e saliências no pavimento.
O taxista José Flávio de Lima reclama das condições da avenida. “Está simplesmente horrível. Você desvia de um buraco e cai em outro. Já o pedestre toma banho de água de enxurrada. O pior é que se trata de um ponto em que os motoristas precisam passar constantemente, assim como os ônibus”, constata.
Em maio, a Secretaria Municipal de Obras recuperou uma das pistas da quadra 9 da Rodrigues Alves, reconstruindo a base asfáltica e o pavimento, mas o serviço não se estendeu a outros trechos, como estava previsto.
Segundo o diretor de Obras da prefeitura, Luiz José Santoro Penna, a quadra 9 está passando por um acompanhamento, para saber se a obra atingiu os objetivos desejados em termos de durabilidade e, até agora, os resultados têm sido satisfatórios.
Penna explica que a expectativa é recuperar no próximo ano outros pontos da avenida usando a mesma técnica. “Mas isso depende da liberação de recursos. A educação e a saúde têm verba especificada. Da arrecadação total do município, há parcelas específicas destinadas a essas áreas. Para as demais, é preciso aguardar o que sobra”, justifica.
A previsão para 2004 é que a Secretaria Municipal de Obras receba R$ 11 milhões do total de R$ 165 milhões previstos para o orçamento municipal, mas não há nenhuma garantia de que todo esse valor será repassado.
Terra
Se em muitas ruas pavimentadas a situação é ruim, nas que nunca foram asfaltadas o problema é ainda maior. É o caso da alameda Sócrates, no Parque Roosevelt. “Com a chuva, piorou e a rua está praticamente instransitável. Para entrar ou sair com o carro de casa é complicado. Já tive que trocar as molas por causa dos buracos”, conta o morador Luiz Carlos de Souza, que reside no local há 11 anos.
Ele afirma que está cansado de esperar pela pavimentação da via. “A prefeitura já prometeu várias vezes, mas até agora nada”, relata.
Outra moradora da alameda, Adriana Furlan Rodrigues, afirma que o marido procurou a administração para pedir que, ao menos, máquinas nivelem a rua. “Eles falam que vão fazer isso, mas trabalham um pouco e depois vão embora”, lamenta.
O secretário municipal das Administrações Regionais afirma que o bairro foi alvo de uma ação intensa da prefeitura em 2002. “Houve um problema sério na temporada de chuvas do ano passado e as reclamações eram constantes. Nós fizemos um trabalho que era o máximo que poderia ser feito naquele momento”, justifica.
Ele afirma que a solução definitiva para conter o avanço de buracos nas ruas de terra vai além do nivelamento feito por máquinas. “Enquanto não houver uma galeria de águas pluviais que possa receber a água, sempre teremos problemas”, declara.
Segundo a assessoria de imprensa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), os ônibus circulares que transitam em ruas de terra registraram, até agora, problemas apenas nos momentos de chuva mais intensa, sem que houvesse necessidade de alterar os trajetos de forma definitiva.
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Mais água
Se depender da meteorologia, os problemas de buracos nas ruas de Bauru tendem a se agravar. Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a previsão é de chuvas para os próximos dias. “O tempo vai permanecer instável, chovendo diariamente”, explica o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall.
Ele revela que a média de chuva acumulada este mês no ponto de medição do IPMet é de 98 milímetros, até o final da tarde de ontem.
Desde 23 de novembro, deixou de chover apenas no dia 30, totalizando, nesse período, 173,1 milímetros. “Tivemos uma quantidade muito grande de chuva. O solo está com bastante umidade e toda a chuva que vier pode causar alguns alagamentos”, prevê.
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