Dirigentes, vereadores e lideranças do PPS ainda não chegaram a uma definição sobre o rumo que o partido vai tomar nas eleições municipais do ano que vem. A divergência se resume ao lançamento ou não de candidatura própria a prefeito. Junto ao PPS estão agregados o PTB - no qual está filiado o prefeito Nilson Costa e mais três vereadores -, o PC do B, detentor de um representante na Câmara Municipal e o PAN.
Recentemente, o presidente da executiva municipal do PPS, Rubens de Souza, iniciou o processo de conversações com o PSDB - que tem como prefeitável o empresário Caio Coube - e o PMDB, que já anunciou sua adesão ao PT. Sob a ótica política, Souza não obteve resultados práticos, mas abriu caminho para novas rodadas de negociações.
Ele é defensor de que o partido tem que ter candidatura própria à Prefeitura de Bauru. Na sua avaliação, o nome mais indicado para a disputa é da ex-secretaria municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes.
“Não faço conjecturas. Faço análise com meus companheiros. Neste momento, o melhor caminho é o PPS ter candidatura própria”, reforça, tomando o cuidado de pontuar a referência de tempo.
Souza ainda tem esperanças de que possa vingar um “chapão” com o PPS, PC do B, PTB, PAN e PMDB. “Eu respeito os presidentes do PT e do PMDB que firmaram acordo para o ano que vem. Mas tenho que dizer que muita coisa ainda vai mudar daqui até a eleição”, prevê.
O dirigente do PPS está convencido de que o partido tem estrutura política para encabeçar uma chapa no ano que vem, mas tem dúvidas sobre a questão financeira. “A melhor estrutura que podemos oferecer à sociedade é a ética e a moral”, discursa.
Bom senso
A ex-secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, se sente lisonjeada em ter seu nome lembrado como pré-candidata a prefeita. “Mas não sou a única que vem sendo lembrada. Há o Edmundo (vereador Edmundo Albuquerque), que na minha opinião é o candidato natural do partido. Além dele, temos o Sérgio (Sérgio Losnak, secretário municipal de Cultura) e o próprio Rubens de Souza”, desconversa.
Eliane, que disputou a Câmara dos Deputados no ano passado e alcançou a votação de 14 mil votos, afirma que o PPS tem muito a oferecer para a cidade, mas é preciso analisar o panorama político antes de tomar a decisão final sobre candidatura própria ou aliança com outros partidos. “Na eleição passada, andei muito pela cidade e vi o quanto precisa ser feito. Me senti comprometida com a comunidade”, lembra, já em tom de discurso de campanha.
“Bauru é uma cidade complicada. Todos os partidos sempre querem lançar candidaturas próprias. Gosto da administração pública, principalmente em funções executivas, mas não dá para ser amadora quando o assunto é dinheiro público”, avalia Eliane.
Em clima de despedida, o vereador Edmundo Albuquerque garante que não será candidato a prefeito e muito menos tentará a reeleição à Câmara Municipal. Ele defende, neste momento, que o partido opte pelo apoio à candidatura de prefeito de outro partido.
“Acho que o PPS pode ter muita dificuldade em lançar candidato próprio. Mas se alguém for lançado, vou respeitar a decisão”, adianta. O parlamentar critica o comportamento da direção do PPS, que discute o destino do partido nas eleições municipais do ano que vem com o PTB e o PC do B.
“Acho que o PPS deve ter autonomia, independência. Não precisa, obrigatoriamente, ficar vinculado ao PTB e PC do B. O que precisa definir é o que o partido quer. Se coincidir com o que o PTB e o PC do B querem, tudo bem”, analisa.
Já o secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak - vice-presidente do PPS -, opina que a participação da legenda nas eleições de 2004 sairá de uma decisão de consenso entre dirigentes, vereadores e militantes. “É preciso definir primeiro quem serão os nossos parceiros. O nome será uma conseqüência”, defende.
Mas não é o que pensa o vereador Paulo Agustinho, recém-filiado ao PPS. “A prioridade é a candidatura própria. A doutora Eliane foi muito bem nas eleições à Câmara dos Deputados”, indica. Além dos nomes já citados, o parlamentar inclui o do secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto. Ele disputou, no ano passado, uma vaga à Assembléia Legislativa.