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Carro parado também dá prejuízo

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Muitos motoristas acreditam que vão preservar seus veículos deixando-os parados na garagem. Outros, por uma série de fatores, como viagens ou férias, são obrigados a “abandonar” o carro por longos períodos. Em ambos os casos, é preciso tomar algumas precauções, já que o tempo de inatividade pode prejudicar o funcionamento do motor e o estado do automóvel, causando enormes prejuízos.

As preocupações começam quando o veículo fica parado, pelo menos, uma semana. “É um tempo suficiente para o surgimento de problemas”, ressalta Edson Silva, instrutor automotivo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru. Inúmeros componentes podem ser afetados, mas os com maior tendência a apresentar danos são a bateria, pneus, combustível, ar-condicionado e a pintura.

A bateria é um dos equipamentos mais sensíveis à inatividade, pois bastam 30 dias para ela descarregar-se por completo. “Os carros atuais têm uma quantidade enorme de itens eletrônicos, que consomem energia dela mesmo com o veículo parado. Por isso, a bateria perde carga aos poucos”, explica Edson.

Para evitar isso, muitos desligam os cabos alimentadores do produto, procedimento, conforme o instrutor, que pode gerar uma série de falhas. “Além de deixar o alarme inativo, pode desprogramar o rádio, os sensores anti-esmagamento dos vidros e desabilitar os freios ABS e os airbags”, adverte.

Deixar a gasolina parada muito tempo no tanque também é prejuízo certo. Segundo o químico Rubens Mário de Oliveira, gerente de qualidade de uma distribuidora bauruense, poucos proprietários de automóveis sabem que o combustível, a exemplo de qualquer produto perecível, tem prazo de validade. “Ele dura, em média, cerca de 30 dias, período em que deve ser aproveitado antes de começar a degradar-se”, frisa.

O químico explica que o grande “vilão” da perda de eficiência da gasolina é o álcool. “Ele instabiliza os componentes do combustível, interferindo na composição final necessária a uma boa combustão. Por essa razão, ela não é armazenada já com o percentual de álcool adicionado”, esclarece.

Mas isso não significa, conforme Rubens, que um veículo não irá funcionar com uma gasolina abastecida há mais de 30 dias. “Ele andará, mas o consumo será maior”, salienta o químico. No entanto, problemas graves podem ocorrer se o período de inatividade no tanque exceder um mês. “Ela poderá oxidar-se e provocar ferrugem no motor, forçando uma revisão”, explica.

No entanto, o instrutor do Senai acrescenta que a probabilidade de oxidação pelo combustível é muito maior nos tanques feitos de aço, comuns em automóveis mais antigos. “Atualmente, a maioria dos equipamentos são de plástico para evitar tal avaria”, diz Edson.

Outro item comprometido pela falta de rodagem é o pneu. Segundo o instrutor, à medida que o tempo passa, além de murchar, o produto tem a tendência de endurecer. “Devido ao peso do veículo, ele vai achatando-se e pode deformar-se. O motorista percebe isso ao sair com o automóvel e sentir que o mesmo parece estar desbalanceado”, salienta o instrutor.

Edson alerta que, dependendo da extensão do problema, uma simples calibragem pode solucioná-lo. “Mas, às vezes, eles deformam-se de tal maneira que a única alternativa é substituí-los”, adverte.

O ar-condicionado também é afetado. O instrutor esclarece que o gás responsável pela refrigeração possui um óleo lubrificante para as vedações do sistema. Ao não serem lubrificadas, estas ressecam-se e provocam vazamentos do gás. “Com isso, ele perde eficiência e a pessoa começa a sentir que o ar não climatiza direito”, sustenta Edson. Para evitar tal dano, deve-se funcioná-lo semanalmente. “Mesmo nos dias frios”, frisa.

Rodar uma vez por semana é a melhor forma de prevenir-se contra as conseqüências da inatividade do automóvel. “Carro é para ser usado. O ideal é andar até que a ventoinha do motor seja acionada, pois desta forma tem-se a certeza que o propulsor já aqueceu. Rodar com o mesmo frio também causará problemas”, afirma Edson.

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Vítimas

O motorista Edson Roberto Rodrigues Azevedo sentiu no bolso o quanto “dói” deixar um veículo parado. Em razão de sua atividade profissional, freqüentemente necessita efetuar viagens longas, ausentando-se de sua residência por muito tempo.

Por conta disso, e em razão de sua garagem não ser coberta, Edson passou a cobrir seu automóvel, um Ford Escort, com uma capa e um cobertor. O que era uma proteção transformou-se em um “pesadelo” para o motorista.

Ao chegar de uma viagem, ele foi retirá-los do veículo e teve uma desagradável surpresa: uma enorme camada de tinta desprendeu-se do teto. “Foi um choque”, recorda.

Resultado: precisou pintar inteiramente o automóvel, o que lhe custou aproximadamente R$ 1 mil. “Podia repintar apenas o teto, mas como fiquei com medo de dar diferença na cor, optei por fazer serviço completo”, frisa.

Edson acredita que a grande variação de temperatura durante os dias em que o carro permaneceu coberto foi a causa do estrago. “Foi um período marcado por dias de chuvas intensas precedidos de sol forte, uma combinação fatal para a pintura”, considera o motorista.

Depois do prejuízo, Edson ficou com tanta raiva que até queimou a capa. “Fiquei tão desgostoso que queria vender o carro, mas depois desisti. Hoje, prefiro deixá-lo ao relento. Acho que, se tiver problemas, custará bem menos”, considera o motorista.

Outro que sofreu com problemas oriundos da inatividade do carro foi o aposentado Ademar da Silva, cujo filho reside em Bauru. Como raramente utilizava seu Gol 1000, os pneus de seu Volkswagen deformaram-se. “No motor nunca tive dor de cabeça, mas precisei trocar os quatro pneus”, destaca ele.

Ademar sustenta que só saía com o carro para efetuar tarefas absolutamente necessárias, como pagar contas. “Utilizava uma vez por mês, pois prefiro caminhar para fazer bem à saúde”, justifica o aposentado.

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