Um novo dezembro despontou no horizonte celestial. Era esperado, sem dúvida, e aí está ele naturalmente disposto a oferecer tudo quanto a natureza divina lhe reserva para proveito das populações de recém-nascidos, menores, jovens e adultos de ambos os sexos. Não apenas a natureza, contudo, traz os 31 dias do mês condicionados a deixar os seres explicitamente saudáveis totalmente de bem com a vida, porquanto o esperado dezembro traz sob as suas amplíssimas vestes, além dos tradicionais festejos natalinos, aquilo que a maioria das sociedades aguarda com uma ansiedade meridianamente invulgar, que podemos exemplificar mencionando a esperança das férias anuais, considerando que, cumprido um longo período de trabalho profissional e de intensas atividades escolares, nada mais esperam as pessoas que um tempo absolutamente livre e elástico para refazer as energias gastas, o que podem fazer conhecendo novos ambientes, reencontrando amigos nas esquinas e melhorando o relacionamento familiar, pois acontece que na velocidade das atribuições diuturnas, inclusive obrigações sociais, nem todos encontram dias, horas e até minutos para descansar.
Conseqüentemente, nada melhor do que a tranqüilidade das férias para colocar em ordem a coabitação familiar, dialogando, esclarecendo, perdoando e, finalmente, recomeçando a fraternidade do lar caso ela se tenha perdido nas nuvens do tempo. O realmente importante é aproveitar as válvulas, fazendo tudo o mais que realmente agrade as pessoas, eis que o espaço livre, que nem sempre acontece - o das férias tem expressa funcionalidade - não é sinônimo de inação ou de preguiça, conforme frisam os analistas nas conclusões de seus estudos. Então, dezembro chegou. Está aí, não sabemos se risonho porque nos falta poder de adivinhação no momento em que esta opinião vai se enrolando no cilindro da máquina.
De qualquer forma, estamos vivendo no mês do diálogo, no qual os pais, geralmente muito ocupados em suas tarefas, têm, finalmente, 31 dias para conversar com os filhos, sentir-lhes os problemas e aconselhá-los sem a pressa dos outros dias do ano. Que seja bem aproveitado, magnificamente gasto, pois tempo é dinheiro. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
Agradecemos e retribuimos mensagens natalinas enviadas pelo casal Sônia e Flávio Carpegiani, Serviço Social do Comércio e jornalista Antônio Carvalho Mendes - SP