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Crescem adolescentes em academias

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

A proximidade do verão e das férias escolares eleva, todos os anos, o número de pessoas que procuram as academias de ginástica nesta época. E a cada ano torna-se mais notável nas academias o aumento de adolescentes que querem emagrecer, ganhar resistência física, construir o corpo perfeito ou simplesmente “matar” o tempo.

Até recentemente, acreditava-se que musculação poderia ser prejudicial aos adolescentes, que provocaria a interrupção do desenvolvimento e atrofia dos músculos. Atualmente, essa hipótese caiu por terra, segundo o ortopedista Leonardo Barbi.

Ele afirma que a musculação não faz mal para o desenvolvimento e crescimento de adolescentes e pré-adolescentes. “Antes, era mais cômodo explicar desta maneira e só dizer que prejudicava, porque a falta de orientação era a causa de muitas lesões por sobrecarga nos exercícios. Hoje, exercícios em academia são muito bem-vindos para os adolescentes, desde que feitos sob a correta orientação”, declara.

De acordo com o ortopedista, a rotina de um garoto ou garota na academia deve equilibrar atividades aeróbicas, que proporcionam melhora no condicionamento cardiorrespiratório, e atividades de ganho de resistência muscular, sempre sob a orientação de um instrutor profissional.

A coordenadora de musculação de uma das maiores academias de Bauru, Ana Leda Marques Vianna, concorda que a orientação correta é fundamental, principalmente para os adolescentes. “Esta é uma fase de desafios. Para eles, colocar um peso maior, forçar nos exercícios, é um desafio. E por isto nós damos uma supervisão maior. Eu brinco dizendo que se eles não obedecerem os instrutores, eu vou ligar para as mães deles e não vão poder mais freqüentar a academia”, conta.

Na academia onde a professora trabalha, assim como na maioria delas, é necessário que os pais ou um responsável autorize o adolescente a participar das aulas. “Os pais e mães vêm até a gente para conversar, quando fazem a matrícula. Nós avisamos que se o filho ou filha não estiver com a conduta correta aqui dentro, obedecendo as orientações dos instrutores, os pais serão comunicados”, enfatiza Ana Leda.

Na opinião do professor de educação física e proprietário de uma clínica de condicionamento físico Luciano Bufelli, a musculação mal orientada e com exercícios executados de forma errônea fazem mal para pessoas de qualquer idade, não só para os adolescentes em idade de crescimento. “Por isto, e principalmente para os garotos, os exercícios precisam ser direcionados para cada pessoa. O trabalho individualizado cria uma enorme margem de segurança”, declara.

Alimentação correta

Os adolescentes que procuram as academias atualmente o fazem por três motivos principais: perder peso, ganhar resistência e massa muscular.

Ana Leda destaca que o caminho para aqueles que desejam emagrecer é dosar aulas e atividades aeróbicas com exercícios para flexibilidade, como alongamento. “E junto com isto, eles fazem um pouco de musculação, para ganhar resistência. Por ser essa fase de desenvolvimento, os músculos posturais têm que ser muito bem trabalhados”, diz.

Bufelli ressalta que as pessoas que estão acima do peso e principalmente adolescentes ociosos têm de criar novos hábitos alimentares e também fazer exercícios que ativem seu metabolismo.

“Naturalmente, vai ocorrer uma diminuição da massa adiposa, que é a gordura, e aumento da massa magra. Você aumenta seu metabolismo, gasta mais do que consome e emagrece”, explica.

E para os garotos que desejam ganhar peso e massa muscular, a professora destaca que a primeira orientação é aprender a comer.

“Muitos vêm para a academia porque querem ficar fortes. Nós orientamos que eles procurem um nutricionista para que tenham uma alimentação correta. As pessoas comem muito mal, e para ganhar massa muscular, têm que comer, fazer seis refeições por dia, com arroz, macarrão, carne”, afirma.

Ana Leda se posiciona contra a utilização de suplementos alimentares, vitaminas que auxiliam no ganho de massa muscular. “Principalmente nesta fase inicial, quando eles entram na academia, eu sou contra. Depois de um ano de treino, se não aconteceu nada com o corpo, se ele não ganhou massa, aí podemos suplementar. Mas comer bem é mais importante”, indica.

O adolescente Vinícius Martinez Campos, 14 anos, freqüenta uma academia há pouco mais de um mês. Ele conta que sua mãe o incentivou a praticar atividades físicas no local. “Minha mãe sempre disse que era saudável. E eu procurei a academia porque ficava em casa sem fazer nada”, diz.

Ele explica que está seguindo um circuito de atividades passadas por seu instrutor, que busca exatamente fortalecer sem atrapalhar o crescimento. “Nas máquinas, eu faço tudo com o peso certo, com a postura certa, para não não ter nenhum problema. Com a minha idade, eu não busco ficar musculoso, definido, até mesmo porque não dá. Se eu fizer muito exercício, com cargas pesadas, ganho músculo mas não vou crescer”, comenta Campos.

A aluna Nathália Oriente Menezes, 15 anos, também sabe os limites do que pode fazer para manter a forma e a saúde em dia. Ela freqüenta a academia desde junho do ano passado e comenta que procurou as aulas por conta própria. “Eu queria fazer exercícios, manter a forma e gosto de academia. Faço musculação, esteira, bicicleta e as aulas de aeróbica, de dança. Com certeza, depois de mais de um ano, eu me sinto mais saudável e mais disposta. E claro, o corpo melhorou também”, diz.

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